O mercado do café está em ebulição. Com preços atingindo patamares recordes, como os R$ 2.000 por saca do café arábica, os produtores e investidores se perguntam: o preço continuará subindo ou pode cair? Para entender os fatores que impulsionaram essa alta e avaliar o que esperar para os próximos meses, conversamos com Héberson Vilas Boas Sastre, Gerente da Mesa de Operações da Minasul, que destacou. “Essa é a pergunta de um milhão, porque ela não tem resposta certa.”
Os fatores que explicam a alta do mercado
Segundo Héberson, três fatores principais contribuíram para o aumento histórico do preço do café. O primeiro deles é a previsão de uma safra 2025 muito reduzida. “Devido ao clima, a florada não pegou bem, e as especulações indicam que a safra brasileira de arábica será bem pequena”, explica. Esse cenário de incerteza tem deixado o mercado em alvoroço.
Outro fator crucial é o baixo estoque de café. “Com a alta taxa de juros, ninguém quer carregar estoque, mas a demanda está muito forte. Nesse momento, o café está na mão de poucos produtores, o que intensifica a pressão”, afirma. Por fim, o dólar elevado também teve um papel fundamental. “Dos R$ 2.000 por saca, R$ 400 são reflexo direto da valorização do dólar, que subiu de R$ 4,90 para R$ 6,10”, detalha Héberson.
Demanda global aquecida e em crescimento

Os fatores externos também não podem ser ignorados. A demanda global por café continua crescendo, impulsionada por países como Estados Unidos, Europa, Ásia e, mais recentemente, também pela China. “A China dobrou seu consumo de café nos últimos cinco anos, e há previsão de dobrar novamente nos próximos cinco anos”, destaca. Esse apetite global, somado a um poder aquisitivo médio maior, sustenta a demanda, mesmo com preços altos.
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E qual deve ser o futuro dos preços? Subir mais ou cair?
Sobre as perspectivas futuras, Héberson é cauteloso. “Pode subir mais? Pode. Há motivos de sobra, como a maior entressafra do Brasil e uma oferta extremamente restrita. Por outro lado, se o preço continuar subindo, pode impactar o consumo e levar empresas a quebrarem, o que pressionaria os preços para baixo.”
Ele reforça a importância de prudência para os produtores. “R$ 2.000 é um ótimo preço. É importante vender agora, mas guardar um pouco para especular pode ser interessante. Não há garantia de que em março veremos R$ 2.500. O mercado pode subir e voltar a qualquer momento”, conclui.
