Produtores entram para colheita pensando na safra 2023

por | maio 17, 2022

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Tanto a seca como a geada fizeram grandes estragos em lavouras mineiras no ano passado. E com isso, a maioria perdeu potencial produtivo, e os reflexos disso, será sentido na safra deste ano.  No entanto, a maioria dos produtores trabalham mesmo na recuperação dessas lavouras para a safra de 2023, como é o caso do produtor rural Alessandro Tavares, de Coqueiral, que relata perdas por conta da geada em 70% da sua lavoura. 

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Foto: Play no Agro O produtor Alessandro Tavares teve 70% de sua lavoura atingida pela geada no ano passado

“A geada atingiu muito, assim como a seca. E o frio ainda prejudicou a pegamento da florada. O prejuízo foi muito grande, com fatores prejudicando a cafeicultura no geral. A expectativa de safra boa era esse ano, mas zerou essa expectativa para todo mundo”, explica. 

O produtor possui uma lavoura na parte da alta da cidade, há cerca de mil metros de altitude, nessa parte espera uma boa produtividade, já que a área não foi atingida pela geada. No entanto, para as áreas mais baixas, a expectativa é pouca. Ele espera por uma safra pequena, com poucas sacas. 

E nesse momento os produtores também criam expectativa para a safra 2023 e 24, todos os esforços e preparativos são para a melhor recuperação das lavouras, atingidas tanto pela seca, como pela geada. 

“Esse ano é uma safra pequena, então o produtor vai ter que saber analisar os gastos, porque ele precisa no futuro. Então safras de alta produtividade talvez em 2023 ou 2024. A expectativa para 2023 já é de uma boa recuperação e em 2024 a gente espera a produtividade máxima que a lavoura pode oferecer. Enquanto isso a gente investe em tecnologia e produtos de qualidade para voltar com a boa produtividade”. 

COMO FICA O MERCADO? 

O professor Renato Fontes, explica sobre a relação de oferta e demanda. A expectativa até o momento são de preços satisfatórios para os produtores. Segundo ele o consumo continua e a produção deixou a desejar, afetando a relação de oferta e demanda.  “Isso faz com que os preços se mantenham interessante para os produtores, talvez não tenhamos preços históricos, como no ano passado. Mas o preço continua satisfatório, mesmo com a relação custo de venda e produção. A tendência é que esse mercado permaneça em alta até que surjam novos fundamentos que venham clarear essa precificação para os novos ciclos produtivos do café”, explica. 

Ele ainda lembra a necessidade de atenção redobrada, já que o mercado de café apresenta alta volatilidade. “Se o preço melhorar, talvez seja o momento de começar a garantir a receita futura do seu café, através de travas de preço. Sempre ter a visão de gestão e não achar que o preço vai subir indefinidamente. Cabe ao produtor através das informações, tentar encontrar preços médios de venda do seu café para ter uma receita adequada”.