O outono teve início nesta semana e as condições climáticas seguem sendo um fator de atenção para produtores rurais em diversas regiões do Brasil. Segundo a agrometeorologista Bruna Peron, da Rural Clima, os volumes de chuva registrados na primeira quinzena de março ficaram dentro do esperado, embora tenham sido baixos e distribuídos de forma irregular.
“A previsão já indicava uma condição para poucas chuvas sobre as regiões Sudeste e Sul, além do Mato Grosso do Sul, ao longo desta primeira quinzena de março. Para estas regiões, as chuvas que ocorreram foram dentro do esperado, embora fossem volumes baixos e irregulares”, explica Bruna.
Para a região Centro-Oeste e toda a faixa Norte do Brasil, a expectativa era de continuidade das precipitações, o que se confirmou. “As chuvas ocorreram de maneira frequente e com volumes consideráveis, embora com alguma irregularidade na distribuição”, acrescenta.
Impactos para a cafeicultura
Nas regiões cafeeiras, os produtores esperavam um volume de chuvas maior, mas este acabou sendo inferior ao desejado. “Especialmente para o interior de São Paulo e sul de Minas Gerais, as chuvas foram extremamente irregulares, principalmente durante a segunda semana de março”, ressalta Bruna. Apenas a partir do terceiro final de semana do mês houve uma maior expansão da umidade, trazendo alívio para as altas temperaturas.
Para a segunda quinzena de março, a previsão é mais otimista. “Até 31/03, há condições para dois novos sistemas avançando pelas regiões cafeeiras do Sudeste e até mesmo para áreas da Bahia. Já no noroeste mineiro, embora as chuvas se tornem mais recorrentes, a irregularidade ainda deverá persistir”, alerta a especialista.
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Expectativa para as temperaturas
Com a chegada do outono, as temperaturas devem permanecer elevadas ao menos nas primeiras semanas da estação. No entanto, Bruna descarta novos episódios de ondas de calor. “A tendência é que tenhamos uma amplitude térmica mais elevada, com noites e manhãs mais amenas e até uma leve sensação de frio em alguns momentos. Já no período da tarde, as temperaturas voltam a subir rapidamente”, explica.
Esse padrão deve ser mais marcante na região central do Brasil, onde a seca começa a se intensificar a partir de abril e maio. A previsão também tem impacto para produtores de soja, que estão em fase de colheita. “Com o decorrer das semanas, o período mais seco já começa a se manifestar, o que deve influenciar diretamente as lavouras”, conclui a agrometeorologista.
