O recente veranico registrado em diversas regiões cafeeiras do Brasil tem gerado preocupação entre produtores e especialistas. As temperaturas elevadas e a falta de chuvas podem impactar diretamente a floração e o desenvolvimento dos frutos, afetando a produtividade da safra 2025/2026.
Segundo o especialista Alysson Fagundes, pesquisador da Fundação Procafé, o fenômeno climático já dá sinais de impacto na lavoura. “O veranico trouxe estresse hídrico para as plantas, especialmente nas regiões que já vinham de um ciclo produtivo alto. Isso pode comprometer a frutificação e o enchimento dos grãos“.
O clima seco e quente pode levar a um cenário de desuniformidade na lavoura, prejudicando o manejo e a colheita. “Quando temos uma floração irregular, isso significa maturação desigual, o que torna a colheita mais desafiadora e pode impactar a qualidade final do café“, explica Alysson.
Outro ponto de atenção está na nutrição das plantas. Com a falta de chuvas, a absorção de nutrientes fica comprometida, exigindo estratégias de manejo diferenciadas. “É fundamental que o produtor ajuste o cronograma de adubação e fique atento à reposição hídrica, onde for possível“, recomenda o especialista.
Chuvas irregulares e calor ainda desafiam cafeicultores em fevereiro e março
Além disso, a previsão para os próximos meses será crucial para definir os impactos reais do veranico na safra futura. “Se tivermos uma boa recuperação das chuvas no outono, parte desse impacto pode ser minimizado. Mas se a seca persistir, poderemos ver uma redução no potencial produtivo”, alerta Alysson.
Diante desse cenário, a recomendação dos especialistas é que os produtores adotem práticas que favoreçam a resiliência da lavoura, como cobertura de solo, conservação da umidade e monitoramento constante das condições climáticas. A expectativa agora é de que os próximos meses tragam uma recuperação hídrica que possa amenizar os danos já observados.
Com as incertezas climáticas cada vez mais frequentes, o planejamento se torna essencial para garantir a sustentabilidade e a produtividade da cafeicultura brasileira nos próximos anos.
