Olivicultura brasileira deve ter quebra de safra e grandes desafios nesta temporada

por | jan 24, 2025

A olivicultura brasileira, especialmente em Minas Gerais, enfrenta um cenário desafiador para a safra 2025, com uma expectativa de queda significativa na produção de azeite. A região, que historicamente tem enfrentado desafios climáticos, sofreu com um déficit hídrico no ano passado, impactando diretamente a florada das oliveiras e, consequentemente, a produtividade das lavouras.

Em 2022, a Serra da Mantiqueira, região que abrange o Sul de Minas Gerais e partes de São Paulo e Rio de Janeiro, atingiu um recorde de produção, com 120 mil litros de azeite. Contudo, desde então, a produção caiu consideravelmente, com 60 mil litros colhidos em 2023 e uma recuperação em 2024, quando se alcançou 150 mil litros. A previsão para 2025 é de uma nova queda, com uma produção estimada em torno de 75 mil litros de azeite, o que representaria cerca de 50% da produção registrada no ano anterior.

Como o azeite brasileiro tem ganhado mais espaço no mercado?

Pedro Moura, Pesquisador Coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), explica que as flutuações na produção estão fortemente relacionadas ao clima. A escassez de chuvas e as altas temperaturas durante a florada de setembro de 2024 comprometeram a indução floral das oliveiras, resultando em uma colheita menor para 2025.

“A expectativa para esse ano é de uma queda de safra em relação a 2024, mas talvez uma produção um pouco maior do que 2023”, afirma Moura, destacando que os números finais só serão confirmados após a extração, prevista para março ou abril.

Os principais desafios para a olivicultura brasileira estão na adaptação das oliveiras às condições climáticas locais. A Serra da Mantiqueira, com suas altitudes elevadas, oferece um ambiente propício para o cultivo das oliveiras, mas a alternância de condições climáticas — com períodos de seca, chuvas fora de época ou temperaturas elevadas — tem dificultado a estabilidade na produção.

Leia também: 

Azeite produzido em solo vulcânico é premiado em concursos na Itália e em Nova York
Primeiro instituto brasileiro de pesquisa em olivicultura
Azeite mineiro fica entre os melhores do mundo

Essa oscilação entre anos de safras abundantes e anos de queda tem sido um obstáculo para alcançar uma produção estável e de alta qualidade. A busca por cultivares mais adaptadas ao clima brasileiro continua sendo uma prioridade para os produtores e pesquisadores da área.