Leite: enchentes agravaram situação da pecuária no RS

por | maio 28, 2024

Pecuaristas dependem de doações para alimentação de animais que sobreviveram

Há um bom tempo existe uma grande fragilidade na pecuária leiteira do país. No Rio Grande do Sul, não é diferente. Muitos produtores vinham abandonando a atividade em meio à crise enfrentada nos últimos meses. As catástrofes climáticas, que ocasionaram a morte de muitos rebanhos e famílias que trabalhavam na atividade, assim como, a perda de equipamentos e estruturas, agravam ainda mais esse cenário.

E reconstruir o setor no estado, vai demandar um pouco mais de atenção por parte do governo federal. Segundo a Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul, um documento já foi encaminhado para as autoridades federais, demandando ações direcionadas para a pecuária leiteira.

Dentre os pedidos, destaque para algumas emergências, como, recursos a juros baixos e com prazos estendidos. A região do Vale do Taquari e da Serra, registraram a morte de muitos animais, a associação estima uma perda de duas mil vacas na região.

Há uma dependência de doações de feno, silagem e pré-secado, para manter a alimentação de animais que sobreviveram. E essas doações tem chegado, no entanto a preocupação da associação neste momento, é que a produção própria levará meses e por isso, existe a necessidade urgente de recursos. “Serão necessários os recursos para comprar alimento que terá de vir de fora, inclusive, o que encarece ainda mais”, explica o presidente da entidade, Marcos Tang.

Outro cenário que também é preocupante nessa reconstrução do setor no estado, são as estruturas de muitas fazendas leiteiras, que foram abaixo.  Além disso, equipamentos, como, ordenhadeiras, bombas, tanques, tratores, gerados e outros utensílios, em muitos casos precisarão ser recomprados.

Nessas regiões, muitos produtores já haviam semeado a pastagem de inverno, que também foi levada pelas enchentes. Ressemear os pastos e recuperar o solo, é outro ponto que também está sendo lembrado pela associação nesse momento.

O presidente enfatiza que a reconstrução dessas propriedades, assim como, manter o plantel, a sanidade e bem-estar desses animais, serão processos a longo prazo.  “Tudo na propriedade leiteira é de médio a longo prazo. A terneira que nasce hoje, será a nossa vaca daqui dois anos. Este ciclo está ameaçado em muitas propriedades”.

Vale lembrarmos que além das dificuldades com o clima, o setor leiteiro vem enfrentando os altos de custos de produção e uma concorrência forte com o leite importado, trabalhando praticamente sem margem de lucro.