Pecuaristas dependem de doações para alimentação de animais que sobreviveram
Há um bom tempo existe uma grande fragilidade na pecuária leiteira do país. No Rio Grande do Sul, não é diferente. Muitos produtores vinham abandonando a atividade em meio à crise enfrentada nos últimos meses. As catástrofes climáticas, que ocasionaram a morte de muitos rebanhos e famílias que trabalhavam na atividade, assim como, a perda de equipamentos e estruturas, agravam ainda mais esse cenário.
E reconstruir o setor no estado, vai demandar um pouco mais de atenção por parte do governo federal. Segundo a Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul, um documento já foi encaminhado para as autoridades federais, demandando ações direcionadas para a pecuária leiteira.
Dentre os pedidos, destaque para algumas emergências, como, recursos a juros baixos e com prazos estendidos. A região do Vale do Taquari e da Serra, registraram a morte de muitos animais, a associação estima uma perda de duas mil vacas na região.
Há uma dependência de doações de feno, silagem e pré-secado, para manter a alimentação de animais que sobreviveram. E essas doações tem chegado, no entanto a preocupação da associação neste momento, é que a produção própria levará meses e por isso, existe a necessidade urgente de recursos. “Serão necessários os recursos para comprar alimento que terá de vir de fora, inclusive, o que encarece ainda mais”, explica o presidente da entidade, Marcos Tang.
Outro cenário que também é preocupante nessa reconstrução do setor no estado, são as estruturas de muitas fazendas leiteiras, que foram abaixo. Além disso, equipamentos, como, ordenhadeiras, bombas, tanques, tratores, gerados e outros utensílios, em muitos casos precisarão ser recomprados.
Nessas regiões, muitos produtores já haviam semeado a pastagem de inverno, que também foi levada pelas enchentes. Ressemear os pastos e recuperar o solo, é outro ponto que também está sendo lembrado pela associação nesse momento.
O presidente enfatiza que a reconstrução dessas propriedades, assim como, manter o plantel, a sanidade e bem-estar desses animais, serão processos a longo prazo. “Tudo na propriedade leiteira é de médio a longo prazo. A terneira que nasce hoje, será a nossa vaca daqui dois anos. Este ciclo está ameaçado em muitas propriedades”.
Vale lembrarmos que além das dificuldades com o clima, o setor leiteiro vem enfrentando os altos de custos de produção e uma concorrência forte com o leite importado, trabalhando praticamente sem margem de lucro.
