A recente investigação da China sobre a carne bovina importada, incluindo a brasileira, levanta questões importantes sobre os impactos dessa análise no setor de exportação do Brasil. O pedido de investigação, originado pelo setor produtivo chinês, foca nos desafios que o aumento da importação de carne tem gerado para a produção local.
De acordo com Fernando Iglesias, analista de mercado da Safras e Mercado, essa investigação pode resultar em medidas protecionistas, como o aumento de tarifas, afetando diretamente o fluxo de exportação para o país asiático. A expectativa é de que a investigação, com duração de 8 a 9 meses, traga um diagnóstico sobre o impacto da carne bovina importada na produção interna chinesa. Caso a China conclua que a importação de carne prejudica seu setor local, pode reduzir a compra de carne brasileira, afetando o comércio bilateral.
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Embora o foco da investigação seja a defesa comercial e a proteção da indústria local chinesa, as consequências podem reverberar globalmente. Mesmo que não envolva diretamente os frigoríficos brasileiros, o impacto pode ser sentido no setor, pois a China é um dos maiores importadores de carne bovina, e qualquer mudança em sua política comercial pode afetar os preços e volumes de exportação para outros mercados. “O Brasil está preparado, mas é importante monitorar as ações da China e adaptar-se a qualquer mudança nas regras do jogo”, comenta Iglesias.
Além disso, a situação das exportações brasileiras para os Estados Unidos também exige atenção. Recentemente, a cota de 65 mil toneladas de carne bovina destinada a 10 países já atingiu 10%, o que poderia levar ao aumento das tarifas de exportação. A política protecionista do presidente Trump tem sido uma constante preocupação para o setor, mas, segundo Iglesias, não há indicação de que os EUA imporão tarifas adicionais sobre a carne brasileira. Porém, se Trump decidir taxar outros países, como México e Canadá, o Brasil pode se beneficiar, pois esses mercados poderiam buscar carne bovina brasileira para suprir a demanda interna, resultando em uma possível expansão das exportações para esses países.
No entanto, a política de Trump e o aumento das tarifas podem afetar a competitividade do Brasil nesse mercado. Apesar disso, o Brasil tem se mostrado resiliente, com uma capacidade de adaptação que permite manter-se competitivo, mesmo diante de desafios diplomáticos e tarifários.
Diante de todos esses fatores, a expectativa para as exportações de carne bovina brasileiras em 2025 permanece positiva. O país segue sendo um dos maiores fornecedores globais de carne, com fortes bases comerciais estabelecidas, especialmente com mercados asiáticos e americanos. A capacidade do Brasil de diversificar suas parcerias comerciais, além de se ajustar às mudanças nas políticas globais, assegura que o país continue com boas perspectivas no setor de carne bovina, mesmo com os desafios impostos pelas investigações da China e as políticas dos EUA.
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