A Embrapa desenvolveu três protocolos técnicos voltados à redução das emissões de gases de efeito estufa e ao aumento do sequestro de carbono nos sistemas de produção de leite no Brasil. As recomendações são resultado de anos de pesquisa e miram pontos-chave da atividade, como manejo dos animais, uso de fertilizantes e conservação do solo.
Segundo a Embrapa Pecuária Sudeste, as práticas propostas ajudam o produtor a produzir leite com menor impacto ambiental, ao mesmo tempo em que aumentam a eficiência produtiva e atendem a uma demanda crescente do mercado por sistemas mais sustentáveis. A iniciativa também contribui para os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil.
Um dos protocolos foca na redução da emissão de metano pelos bovinos, gás liberado naturalmente pelos ruminantes. De acordo com os pesquisadores, animais saudáveis, bem alimentados e mais produtivos diluem melhor as emissões por litro de leite. Medidas como ajuste da dieta, melhor manejo de pastagens, uso de genética mais eficiente e redução do número de animais improdutivos estão entre as recomendações.
Outro eixo trata da diminuição das emissões de amônia e óxido nitroso no solo, gases associados principalmente ao uso de fertilizantes nitrogenados. Conforme a Embrapa, práticas como uso de leguminosas, fertilizantes de maior eficiência, manejo correto de dejetos animais e aplicação adequada de ureia reduzem perdas, melhoram o aproveitamento dos nutrientes e diminuem custos ao produtor.
O terceiro protocolo aborda o manejo do solo para acúmulo de carbono, destacando que pastagens bem conduzidas, sistemas integrados, plantio direto e recuperação de áreas degradadas aumentam a matéria orgânica do solo, retirando carbono da atmosfera e melhorando a produtividade ao longo do tempo. Em sistemas com árvores, o sequestro de carbono pode compensar parte das emissões do rebanho.
Segundo pesquisadores da Embrapa, o principal desafio para ampliar a adoção dessas práticas ainda é o investimento inicial, mas a tendência é que a maior eficiência produtiva traga retorno econômico ao produtor ao longo dos ciclos. Políticas públicas e iniciativas coletivas, como cooperativas e parcerias com laticínios, podem acelerar essa transição.
