Café: com clima difícil, setor vive momento de boa rentabilidade

por | out 9, 2024

A cafeicultura brasileira vem enfrentando um grande déficit hídrico há meses. A principal preocupação dos cafeicultores, agora, é com a safra de café de 2025, cuja produtividade pode ser prejudicada pelo excesso de altas temperaturas aliadas à seca severa nas regiões produtoras.

Apesar dos desafios climáticos, o setor tem mantido uma rentabilidade favorável, impulsionada pelo custo de produção equilibrado nos últimos meses. Essa estabilidade trouxe alívio aos produtores, ainda que as incertezas continuem presentes.

Analisando os últimos ciclos, os anos de 2021 e 2022 foram considerados dos piores para o setor, com rentabilidade extremamente baixa ou quase nula.

Fonte: Fundação Procafé

De acordo com o engenheiro agrônomo e pesquisador da Fundação Procafé, André Moraes, entre 2022 e 2023 a média de rentabilidade foi positiva, sendo um dos períodos mais lucrativos para os cafeicultores. “Foi um dos biênios de maior rentabilidade na cafeicultura, pois o produtor tinha café e tinha preço. Passamos por um biênio excelente; claro que cada fazenda tem suas particularidades, mas, de modo geral, o setor ganhou dinheiro”, explica Moraes.

O agrônomo destaca que o custo equilibrado foi fundamental para esse cenário favorável. Entretanto, ele alerta que essa boa rentabilidade pode não se repetir na próxima safra devido às condições climáticas desfavoráveis.

Como estão as lavouras brasileiras?

As regiões produtoras de café aguardam há meses por chuvas significativas para as lavouras. No entanto, o volume de chuva registrado em Minas Gerais e no interior de São Paulo, embora baixo, tem sido suficiente para estimular a florada em várias fazendas, mas sem compensar o déficit hídrico das plantas.

“Lavouras irrigadas já registraram a florada principal, assim como as lavouras mais novas, que florescem primeiro. A florada principal é muito relativa e varia bastante de um local para outro”, ressalta André.

Ao final de setembro e na primeira semana de outubro, os volumes de chuva registrados em Minas Gerais variaram entre 5 e 20 milímetros, enquanto a evapotranspiração atingiu até 4 mm por dia. “Esse volume não cobre a perda hídrica de dois dias. O grande problema é que o déficit hídrico é tão acentuado que as plantas perderam intensidade na florada e no pegamento das flores”, comenta o agrônomo. A seca prolongada reduz as reservas de carboidratos das plantas, comprometendo inclusive o próximo ciclo e aumentando a probabilidade de sérios problemas para a safra futura.

Leia também:

Café: o patrimônio que se bebe 

Déficit hídrico e manejo eficiente: desafios para a cafeicultura brasileira

Chuva de granizo surpreende produtores de café em MG e SP após seca severa

Alerta para o surgimento de pragas

O clima atual favorece também o surgimento do bicho-mineiro, especialmente na região do Sul de Minas, onde a praga se espalhou rapidamente nos últimos dias, com diferentes graus de severidade entre as lavouras. Diante desse cenário, Moraes recomenda aos produtores revisar o planejamento, ajustando adubação, programação de pulverização e intervenções, conforme as necessidades específicas de cada lavoura.