A suinocultura brasileira tem motivos para comemorar em 2024, registrando um ano de boas margens e aumento das exportações.
O preço pago ao produtor de suíno vivo apresentou um movimento de alta recente. O analista de mercado da SAFRAS & Mercado, Alan Maia, explica que isso se deve a um cenário de oferta ajustada frente à demanda dos frigoríficos, além do forte desempenho das exportações brasileiras de carne suína.
“O ambiente de oferta ajustada frente à procura dos frigoríficos ajuda a enxugar a oferta doméstica, enquanto a produção continua crescendo, mas de maneira controlada”, ressalta.
Além disso, Maia aponta que a demanda doméstica está em ascensão, acompanhada por uma boa reposição entre atacado e varejo. Essa combinação tem favorecido a ampliação das compras de suíno vivo, gerando um cenário positivo para os produtores.
Custos de produção estáveis e margens ampliadas
Quando se trata dos custos de produção, o setor registrou uma evolução controlada nos últimos meses. “Houve um pequeno aumento se tratando dos custos nos últimos três meses, mas nada significativo. O preço do suíno vivo subiu, ampliando as margens dos produtores”, explica Maia.
A relação de troca entre suíno vivo e milho está nos melhores níveis desde 2020, com o milho e a soja mantendo preços dentro da normalidade ao longo do ano, fatores que sustentam o cenário favorável.
Expectativas para o final do ano
Com a chegada do último trimestre, Maia traz uma perspectiva otimista para o setor. O consumo de carne suína tradicionalmente aumenta entre novembro e dezembro, impulsionado pelo pagamento do 13º salário e pelas festividades de fim de ano. “O ajuste da oferta doméstica, combinado com a demanda forte, deve favorecer os preços ao longo da cadeia”, comenta. Além disso, com a carne bovina apresentando preços firmes, é provável que muitos consumidores optem pela carne suína como uma alternativa mais acessível.
2024: um ano de recuperação e margens saudáveis
De modo geral, o ano de 2024 foi positivo para os suinocultores, especialmente após o período difícil de 2022-2023, quando o setor enfrentou margens reduzidas. Maia destaca que a lucratividade está de volta e que essa recuperação pode incentivar novos investimentos.

“É importante, no entanto, que o setor mantenha um nível de produção controlado para garantir a sustentabilidade do cenário positivo. Fatores como exportação e custo de produção precisam ser monitorados de perto em 2025″, orienta o analista.
Exportações em crescimento e diversificação de mercado
As exportações de carne suína brasileira também registraram bom desenvolvimento em 2024. Segundo dados da SAFRAS & Mercado, no acumulado de janeiro a agosto, o país exportou 832,392 mil toneladas de carne suína, um crescimento de 5,37% em relação ao mesmo período de 2023.
Apesar de uma leve queda na receita acumulada até agosto, Maia explica que o processo de recuperação do preço por tonelada pode resultar em números ainda mais favoráveis no fechamento do ano.
A SAFRAS & Mercado projeta que as exportações de carne suína em 2024 alcancem 1,264 milhão de toneladas, um aumento de 5,5% em relação a 2023.
A diversificação dos destinos de exportação também tem sido fundamental para reduzir os riscos, ajudando a equilibrar o mercado doméstico e fortalecendo a formação de preços no interior do país.
