Brasil tem perspectiva de queda na produção de carne

por | jan 31, 2025

O setor pecuário brasileiro iniciou o ano de 2025 sob um novo panorama. Diferente de 2024, quando o país registrou volumes recordes na produção de carne bovina, o cenário atual aponta para uma inversão do ciclo pecuário, com uma expectativa de queda entre 5% e 6% na produção ao longo do ano.

Segundo Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, a diminuição está diretamente relacionada à menor participação de fêmeas no abate. “O Brasil não deve ter um recorde de produção de carne nessa temporada. 2025 deve ser um ano de inversão do ciclo pecuário, devemos ter uma menor participação de fêmeas no abate e, em função disso, devemos computar, ao longo desse ano, uma queda de 5 a 6% da produção de carne bovina”, explica Iglesias.

No mercado interno, o mês de janeiro foi marcado por um movimento de instabilidade nos preços da arroba. A primeira quinzena apresentou firmeza e certa recuperação dos valores, impulsionada pelo bom desempenho das exportações. No entanto, a segunda metade do mês trouxe uma forte pressão de baixa, influenciada pelo consumo fraco no mercado doméstico.

“O mercado perdeu tração, esfriou completamente. Fechamos essa última semana de janeiro com uma forte pressão de queda nos principais estados do Brasil afora. Os preços da carne não encontraram sustentação, acabaram recuando de uma maneira muito agressiva e, em função disso, a arroba do boi gordo também perdeu sustentação”, detalha o analista.

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A demanda interna segue como um fator limitante para a recuperação dos preços, especialmente no primeiro trimestre, quando o consumidor brasileiro enfrenta despesas sazonais e possui menor poder de compra. “O consumo é uma variável muito relevante. A população não dá sinais de que vai conseguir absorver grandes reajustes da carne bovina nessa temporada”, pontua Iglesias.

Diante desse cenário, a tendência para fevereiro é de continuidade da pressão sobre os preços da arroba, pelo menos na primeira quinzena do mês. “O mercado do boi deve continuar pressionado durante a primeira quinzena de fevereiro, ao que tudo indica. Temos um viés mais baixista agora, um pouco mais de pessimismo dentro do mercado”, avalia o especialista.

A única variável que ainda oferece algum suporte aos preços são as exportações, que seguem desempenhando um papel crucial na dinâmica do mercado pecuário brasileiro. No entanto, para o mercado interno, o desafio segue sendo a capacidade de reação do consumo ao longo dos próximos meses.