O Huanglongbing (HLB), ou greening, considerada a pior doença dos cultivos de citros, está provocando a migração da produção no Brasil. O tradicional Cinturão Citrícola, que abrange São Paulo, Triângulo Mineiro e sudoeste de Minas Gerais, agora inclui Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e Distrito Federal, formando o Cinturão Citrícola Expandido (CCE).
Pesquisadores da Embrapa e do Fundecitrus estão desenvolvendo estudos de zoneamento de riscos climáticos e fitossanitários para apoiar os produtores nessa transição. “A citricultura pode se expandir para novas regiões, e estamos comprometidos em apoiar essa mudança”, afirma Francisco Laranjeira, chefe-geral da Embrapa Mandioca e Fruticultura.

Zoneamento climático e fitossanitário
Estudos como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) ajudam a identificar os riscos associados à produção em diferentes regiões, considerando perdas de 20%, 30% e 40% conforme as condições climáticas. “Conseguimos mapear as áreas limítrofes do cinturão existente e avaliar os riscos climáticos para a expansão”, explica Mauricio Coelho, pesquisador da Embrapa e coordenador do Zarc Citros.
Uma nova tecnologia em desenvolvimento é o zoneamento específico do psilídeo-vetor do HLB e da podridão floral dos citros (PFC). O estudo, liderado por Alécio Moreira e financiado pela Fapesp, busca prever a ocorrência dessas ameaças e subsidiar a adoção de medidas preventivas.
Clima implica em desafios e reestimativa de safra para a citricultura brasileira
Aumento da Migração
A migração dos pomares começou em 2023 e se intensificou em 2024, com produtores buscando regiões menos afetadas pelo greening. A incidência da doença em São Paulo cresceu de 38% para 44%, embora em ritmo menor do que no ano anterior. “O produtor não fez a rotação adequada de inseticidas, favorecendo a resistência dos insetos”, explica Renato Bassanezi, pesquisador do Fundecitrus.
O zoneamento tem sido essencial para guiar essa expansão. “A seleção de áreas com clima mais adequado é estratégica para mitigar riscos”, afirma Danilo Yamane, da FortCitrus Consultoria. No entanto, os citricultores enfrentam desafios como clima adverso, logística complexa e falta de mão de obra.
Empresas como a Cambuhy Agrícola Ltda. e a Agroterenas estão apostando em novas regiões. A Cambuhy iniciou plantios em Ribas do Rio Pardo (MS), enquanto a Agroterenas prevê 1.500 hectares plantados até 2026. “A laranjeira é uma planta de clima temperado e, assim como outras culturas, está encontrando novas regiões para se desenvolver”, destaca Ezequiel Castilho, da AGT Citrus.
A expansão da citricultura é um processo natural e desafiante, mas essencial para manter a produção brasileira competitiva e sustentável frente ao avanço do greening.
