Nos últimos anos, o setor leiteiro no Brasil enfrentou desafios severos que resultaram no abandono da atividade em diversas regiões. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, entre 2010 e 2020, o número de produtores caiu de 1,8 milhão para 1,4 milhão.
“Entre os fatores que impulsionaram esse êxodo, destacam-se o aumento nos custos de produção, a volatilidade dos preços pagos ao produtor, a falta de sucessão familiar e os baixos índices de tecnologia e produtividade”, explica Juliana Pila, zootecnista e analista de mercado da Scot Consultoria.
Os pequenos produtores têm sido os mais impactados. Levantamentos da Scot Consultoria indicam que sistemas de baixa tecnologia, com produtividade média de 4,5 mil litros por hectare ao ano, registraram uma rentabilidade negativa de -8,86% em 2024. Esse cenário marca o 13º ano consecutivo de perdas para esse perfil de produtor.
“Produtores menores costumam receber menos por litro devido à menor escala de produção e custos mais elevados, o que contribui significativamente para a saída de muitos da atividade”, destaca Juliana.
Por outro lado, sistemas de alta tecnologia, com produtividade média de 25 mil litros por hectare ao ano, continuam apresentando rentabilidade positiva desde o início dos levantamentos, em 2004.

A produção de leite no Brasil é marcada por uma grande diversidade de perfis de produtores, que variam desde pequenos agricultores familiares até grandes complexos leiteiros. Contudo, a redução do número de produtores é uma tendência global, observada também em países onde a produção está se tornando mais concentrada.
Minas Gerais, maior estado produtor de leite do Brasil, é a unidade da federação que registrou a maior queda no número de produtores nos últimos anos, refletindo a pressão enfrentada em uma das regiões mais tradicionais da atividade.
Apesar da redução no número de produtores, a produção leiteira brasileira permanece relevante no cenário global. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de leite, atrás apenas dos Estados Unidos. Esse desempenho é sustentado pelo aumento da produtividade, que vem compensando a redução no número de produtores e permitindo que o setor mantenha sua importância econômica e social.
LEITE: preço pago ao produtor registra queda novamente em novembro
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Com a evolução tecnológica e o aprimoramento da gestão, o futuro da atividade no Brasil está cada vez mais concentrado em produtores que investem em eficiência e inovação. Esse movimento, embora desafiador, abre oportunidades para o fortalecimento do setor em bases mais competitivas.
