Café: recorde nos preços em NY e novas probabilidades no mercado

por | jan 27, 2025

A recente alta nos preços do café tem movimentado o setor e gerado discussões sobre os fatores que levaram a esse cenário. Heberson Vilas Boas, Gerente da Mesa de Operações da Minasul, destacou os principais motivos para essa valorização e abordou as possibilidades que podem surgir para o Brasil diante do conflito comercial entre Estados Unidos e Colômbia.

De acordo com Vilas Boas, a alta nos preços reflete diretamente uma conjuntura de oferta e demanda no mercado cafeeiro. “As gôndolas só refletem o que está acontecendo no mercado de café e no dólar. Tivemos problemas climáticos em todos os países produtores, o que gerou uma oferta mais restrita. Por isso, o mercado subiu muito, e há expectativa de novos aumentos nos supermercados”, afirmou. A questão climática foi um dos fatores predominantes para o desequilíbrio entre oferta e demanda.

“O consumo global de café se manteve resiliente, mas a oferta foi menor devido a problemas climáticos tanto para o arábica quanto para o conilon. Isso resultou em preços recordes. A bica corrida chegou a 400 dólares em Nova Iorque, um patamar histórico”, destacou o gerente.

Para os produtores, o momento tem sido positivo em termos de rentabilidade. “Os que tinham café em estoque no ano passado conseguiram aproveitar a valorização e aumentar seus ganhos”, explicou. Contudo, ao analisar o mercado futuro, Vilas Boas pondera que os preços da safra 2025, que já estão sendo precificados, são inferiores aos da safra corrente. “Hoje não há café disponível e a demanda continua alta. Na safra futura, com uma oferta maior, os preços tendem a ser menores, com uma diferença de até 300 reais”, pontuou.

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Sobre a possibilidade de novas altas, ele ressaltou que tudo depende de eventos climáticos inesperados. “O mercado praticamente dobrou de preço nos últimos meses. Pode subir ainda mais? Sim, mas seria necessário um novo fator, como uma frente fria ou excesso de chuvas na safra”, disse Vilas Boas.

Outro ponto abordado foi o conflito comercial entre Estados Unidos e Colômbia, que pode gerar oportunidades para o Brasil. “Se o impasse se mantiver, é lógico que é uma oportunidade para o Brasil. A Colômbia teria que buscar outros mercados, o que poderia favorecer a expansão da nossa participação global. No entanto, esse cenário ainda não está claro e dependerá das negociações entre os governos”, ponderou.

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Embora o mercado cafeeiro esteja cercado de incertezas, os altos preços atuais trazem boas perspectivas para os produtores brasileiros. Ao mesmo tempo, a necessidade de acompanhar as condições climáticas e os desdobramentos políticos, o que reforça a importância de se manter atento aos movimentos do mercado.

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