Mesmo com a colheita do café ganhando ritmo em várias regiões do país, os preços continuam firmes no mercado. Segundo Heberson Vilas Boas, gerente da mesa de operações da cooperativa Minasul, cerca de 30% dos produtores já começaram a colheita, e até o fim de maio a atividade deve estar em andamento em todas as áreas produtoras.
Apesar das oscilações recentes no mercado internacional e na cotação do dólar, os preços em reais seguem estáveis, acima dos R$ 2.500,00. “A demanda global ainda é grande e os estoques mundiais continuam baixos, o que sustenta os preços mesmo com o avanço da safra”, explica Heberson.
O pico da colheita está previsto para os meses de julho e agosto. É nesse período que o mercado pode sentir uma leve pressão, caso os produtores optem por vender grandes volumes. Ainda assim, a tendência de alta permanece. “Se tivermos uma florada forte em outubro, com boas chuvas, o mercado pode projetar uma safra recorde em 2026, o que pode gerar ajustes, mas, por ora, o cenário é positivo”, afirma o gerente.
Nesta segunda-feira, a Conab divulgou um novo levantamento da safra 2024 e indicou um crescimento de 2,7% na produção. No entanto, para Heberson, esse número ainda está abaixo da realidade sentida no Sul de Minas. “A colheita está começando sem relatos de problemas com rendimento ou peneira. O ano promete ser bom para o produtor.”
A recomendação do especialista é clara: cautela nas decisões de venda. “Os preços estão muito bons, então o ideal é fazer médias, vender aos poucos e aproveitar as boas margens que o mercado está oferecendo. Apostar em valores muito acima do atual pode ser arriscado”, orienta Heberson.
Além disso, ele reforça a importância da qualidade e da segurança no campo. “Caprichar na colheita e cuidar bem do café é essencial neste momento em que o mercado está receptivo”, conclui.
