A Embrapa Agrossilvipastoril, localizada em Mato Grosso, lançou o Sistema Bacaeri – BoiTeca, uma nova modalidade de integração pecuária-floresta (ILPF) que combina a criação de gado de corte com o cultivo de teca (Tectona grandis), uma madeira nobre de origem asiática.
O objetivo da tecnologia é oferecer ao pecuarista uma alternativa de intensificação sustentável, com potencial de diversificação e aumento da renda. O sistema permite a condução da pecuária enquanto as árvores se desenvolvem, proporcionando retorno financeiro ao longo do ciclo de aproximadamente 20 anos, tempo estimado para o corte final da teca.
Segundo a Embrapa, o gado só precisa ser retirado da área durante os primeiros 10 a 18 meses. Nesse período, o produtor pode integrar outras culturas, como grãos, ou utilizar o pasto para produção de silagem e feno. Após essa fase, a pecuária pode ser retomada normalmente.
A técnica inclui o manejo de desrama das árvores, que melhora a qualidade da madeira e favorece a entrada de luz na pastagem, garantindo produtividade do capim. Além disso, a sombra proporcionada pelas copas melhora o bem-estar animal, favorecendo o ganho de peso e fortalecendo o sistema imunológico do rebanho.
De acordo com o pesquisador Maurel Behling, árvores plantadas em linhas, como no sistema BoiTeca, apresentam crescimento superior às de monocultivos, graças ao chamado efeito bordadura — maior incidência de luz e menor competição por recursos.
“O diferencial do sistema é permitir uma fonte de renda extra sem a substituição completa do pasto por floresta plantada. A pecuária impulsiona a expansão da teca”, afirma Behling.

Regras técnicas e recomendações
O Sistema Bacaeri – BoiTeca traz um conjunto completo de recomendações técnicas, que vão desde o planejamento da área, definição de espaçamento entre mudas e preparo do solo, até práticas de poda e controle fitossanitário. Também inclui orientações sobre o manejo de formigas, doenças, nutrição das plantas e prevenção de incêndios.
Retorno financeiro
Estudos conduzidos pela Embrapa em Unidades de Referência Tecnológica (URTs) no estado indicam forte potencial de rentabilidade. Em um dos trabalhos, realizado na Fazenda Bacaeri, foi registrado um retorno de R$ 4,70 para cada R$ 1 investido.
Embora o custo inicial gire em torno de R$ 3,2 mil por hectare, a pecuária e os desbastes iniciais das árvores já possibilitam o retorno do investimento a partir do oitavo ano. A maior receita, no entanto, ocorre no corte final, entre os anos 18 e 25. O Valor Presente Líquido (VPL) estimado é de R$ 2.854,53 por hectare/ano.
Behling alerta, no entanto, que o sucesso do sistema depende da adoção correta de tecnologias e boas práticas. “Não basta plantar teca de qualquer jeito. É preciso investir em manejo adequado, monitoramento constante e qualidade em toda a cadeia produtiva”, destaca.
Sustentabilidade e novas oportunidades
Além de aumentar a produtividade da pecuária, o sistema BoiTeca contribui para a mitigação de gases de efeito estufa, estocando carbono e reduzindo a pressão sobre florestas nativas. Por isso, pode ser uma ferramenta importante para programas como o de Conversão de Pastagens Degradadas do Governo Federal.
O modelo também abre portas para que o produtor rural busque créditos de carbono e obtenha certificações de sustentabilidade, como Carne Carbono Neutro (CCN) ou Carne Baixo Carbono (CBC).
