Corda-de-viola e outras plantas daninhas surgem em meio aos cafeeiros em MG

por | abr 4, 2025

Entenda cenário e como podem impactar produtividade

Nas últimas semanas, os produtores têm enfrentado uma verdadeira corrida para conter o avanço de Corda de Viola e outras ervas daninhas nas lavouras de café. Há tempos, o controle dessas plantas se tornou um manejo essencial na cafeicultura.

As plantas daninhas infestam os cafezais de diferentes formas. Entre essas, a Corda de Viola têm surgido com frequência nas lavouras, utilizando o cafeeiro como suporte e prejudicando a planta de duas maneiras. Primeiro, competem por água e nutrientes do solo por meio de seu sistema radicular. Além disso, ao cobrir o cafeeiro, disputam a luz solar, impactando diretamente a fotossíntese da planta.

A corda-de-viola é uma das principais plantas daninhas nos cafezais brasileiros, e pode ser encontrada em diferentes espécies. 

Como surgem e qual o manejo adequado?

O principal fator que favorece o aparecimento dessas plantas daninhas é a dispersão de sementes entre as ruas da lavoura, facilitando seu crescimento na saia do cafeeiro. No caso específico da corda-de-viola, ela costuma se desenvolver na linha de plantio, onde herbicidas ou roçadeiras têm menor alcance.

“No caso da corda de viola, ela cresce no meio da rua e com manejo inadequado  atinge a planta de café, onde consegue se desenvolver e semear. Isso faz com que ela disperse sementes para a linha de café. Além disso,  a chegada de cisco, no pós-colheita, leva todas as sementes do meio da rua para a debaixo do pé de café”, explica o Desenvolvimento Técnico de Mercado da Syngenta, Felipe Borges. 

Atualmente, as lavouras estão na fase de granação, e a melhor estratégia para eliminar essas plantas nesse período é a retirada manual. “O dano nesse momento, durante a fase de granação ou no crescimento de novos ramos para a próxima safra, é que elas cobrem toda a planta, impedindo que o cafeeiro realize a fotossíntese. Isso pode acontecer em vários pés de café de uma mesma área, reduzindo drasticamente a taxa fotossintética da planta”, explica Dermival Madeira, da Syngenta.

A retirada manual dos cipós faz com que eles murchem e sequem sobre a copa da planta. No entanto, essa ação tem um caráter paliativo, pois, além de demandar mais mão de obra, pode causar danos mecânicos às folhagens, resultando na queda de folhas e frutos.

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Por isso, a recomendação mais eficaz é incluir esse manejo no calendário de tratos culturais da lavoura.  O controle de herbicidas é iniciado com a volta das chuvas, principalmente o pós emergente. Já o  pré-emergente é possível fazer no período seco.  Uma estratégia adicional para o controle da corda-de-viola é antecipar a aplicação dos herbicidas, visando atingir as plantas ainda jovens.

No início das chuvas nos meses de outubro e setembro, o produtor geralmente trabalha a pulverização do pré-emergente. Porém a Corda de viola, tem a capacidade de germinar em até 15 cm de profundidade, com isso, sai da faixa de aplicação pré-emergente, onde muitos falham nesse controle específico.

“Nesse contexto, o produtor adota menos o pós-emergente, e a Corda de Viola consegue se desenvolver. Geralmente áreas em que o produtor usa pré-emergente, reduz a aplicação de pós-emergente, sendo comum termos a área limpa, mas com a Corda Viola tomando conta do cafezal”, ressalta Felipe.

Ele ainda completa, enfatizando que o manejo recomendado são os pré- emergentes, no início e durante a safra. “Porém, as aplicações de latifolicidas na pós-emergência nessas áreas, são importantes”.

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Outras plantas daninhas que afetam o cafeeiro

Além da Corda de Viola, outras espécies de plantas daninhas podem impactar a lavoura de café, como capim-colonião, tiririca e carrapicho. Essas plantas também podem representar uma ameaça significativa. Assim como os cipós, exigem estratégias bem planejadas para um controle eficaz e economicamente viável.

Dessa forma, a adoção de um manejo integrado, combinando diferentes estratégias para reduzir o impacto dessas plantas na cafeicultura, tornou-se uma prática essencial, já prevista no planejamento anual da lavoura.