Quebra ainda não é realidade, mas pode impactar mercado nos próximos meses.
Já passou da metade do total esperado para esta temporada o volume de café colhido no Sul e Cerrado de Minas Gerais. Desde o início da temporada, a maior preocupação entre os produtores tem sido a qualidade do grão. O último relatório do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), reafirma que a gramatura dos grãos continua inferior em comparação com outras safras.
Segundo o Cepea, os grãos com peneira abaixo de 17/18 demandam um maior volume para completar uma saca, o que aumenta o custo unitário de produção. Nas áreas de robusta, a colheita está na reta final e, de acordo com pesquisadores do Cepea, também tem apresentado qualidade inferior para bebida, com grãos de peneira abaixo do esperado.
Os preços vão subir?
Vários fatores têm fomentado uma alta nos preços nos últimos meses. No caso do café robusta, a oferta mundial apertada, bem como o baixo volume que vem sendo colhido na safra brasileira, tem dado suporte a esse movimento de alta e aos valores internos. O relatório do Cepea indica que as cotações tanto de arábica como de robusta devem seguir em elevação. Com a demanda externa aquecida para embarques em curto prazo, muitos produtores têm vendido somente o necessário para fluxo de caixa. “Temos uma expectativa de maior fluxo no momento da florada, se o clima assim contribuir”, destaca o Trader e Gerente da Mesa de Operações da Minasul, Héberson Vilas Boas Sastre.
O avanço da colheita tem sinalizado uma oferta restrita, o que pode impulsionar altas e baixas em um mercado técnico e fundamental. No entanto, o clima continua sendo o principal fator sob observação nos próximos meses. “De um modo geral, o mercado é firme, porém deve ser aproveitado pelos produtores com essa margem favorável”, ressalta Héberson.
Impacto da peneira baixa no mercado
Para a comercialização de cafés, o tamanho da peneira tende a impactar fortemente alguns mercados, como a venda de café torrado em grão. E o cenário que vem sendo registrado no Brasil já está sendo absorvido pelo mercado global. “Eles já estão pagando mais caro por este café que, devido ao clima quente, está com um percentual menor que o histórico. O mercado vai se adequar pagando mais caro ou utilizando uma peneira menor”, explica Héberson.

Vamos ter quebra no café brasileiro?
A quebra ainda não é uma realidade, apesar do cenário delicado e com muitas especulações. No entanto, o mercado mundial segue de olho na safra brasileira e a confirmação de uma quebra, dependendo da gravidade, deve trazer uma reação nos preços a partir de novembro deste ano.
