A Embrapa Cerrados lançou recentemente uma nova variedade de algodão, a BRS 437 B2RF. O lançamento aconteceu em parceria com a Fundação Bahia, no Bahia Farm Show, feira agropecuária que é promovida pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia – Aiba, em Luis Eduardo Magalhães – BA.
Alderi Emidio, chefe geral da Embrapa Algodão (Campina Grande, PB), relembrou o início das pesquisas com algodão no Cerrado e o empenho dos agricultores, que fizeram o País se tornar o segundo maior exportador da fibra. “É muito importante que a gente compreenda que uma cultura está associada a outra e que o sistema (de produção) precisa ser sustentável”, disse, citando que a resistência da cultivar de soja BRS 8383IPRO ao nematoide Meloidogyne incognita favorece o cultivo subsequente de algodão. “Temos que caminhar para a sustentabilidade e a Embrapa tem de estar ao lado do produtor nesse caminho”, completou, salientando a atuação conjunta da pesquisa com os produtores e as associações.
A nova cultivar tem como principais características agronômicas ciclo de 175 dias (em média), porte alto, vegetação agressiva, sistema radicular desenvolvido e excelente sanidade, permitindo boas produtividades mesmo em áreas com flutuações de fertilidade. Está adaptada para cultivo nos estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia, Maranhão e Piauí. Apresenta dois genes de resistência à ramulária (Ramularia aureola), sendo também resistente à bacteriose e moderadamente resistente à doença azul típica.
O período recomendado para semeadura é de 5 a 15 de dezembro. A cultivar é exigente em fertilidade de solo por trabalhar com altos tetos produtivos, bem como exige o uso de regulador de crescimento. A altura ideal de plantas é entre 1,25 m a 1,30 m. O algodão BRS 437 B2RF apresenta 40% de rendimento de fibra, peso de capulho entre 4,5 g a 5,5 g e aderência de pluma média a fraca, o que facilita a colheita. Quanto à qualidade da pluma, o material se enquadra como Padrão de Exportação Normal.
A população recomendada de plantas é de 92 mil a 105 mil/ha e estande de 7 a 8 plantas/m. A cultivar tem boa adaptação aos espaçamentos de 76 cm, 80 cm e 90 cm entre fileiras de plantas. Deve ser realizado o controle da mancha alvo. O presidente da Fundação Bahia, Ademar Marçal, ressaltou a importância do trabalho em parceria com a Embrapa para o Oeste da Bahia e o Brasil, com o desenvolvimento da cultivar de algodão. “Tenho certeza de que irá trazer bastante benefício ao nosso agronegócio”, disse.
