Rússia x Ucrânia: fertilizantes ainda padecem com a guerra

por | fev 24, 2023

A guerra entre Rússia e Ucrânia tem um impacto direto sobre a agricultura brasileira, pois o Brasil importa 85% dos fertilizantes que utiliza na agricultura, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA).

A escassez de um dos principais nutrientes necessários para a agricultura, o potássio, é a que mais preocupa o setor ainda, dizem analistas da ANDA. Nosso país tem alternativas em outros mercados, e teria internamente se não fosse o desmonte da fábrica de fertilizantes da Petrobrás, para recorrer a estoques para chegar e segurar até as próximas safras, mas a falta de insumos pode prejudicar a programação dos próximos ciclos sazonais. Além disso, o valor da tonelada e a falta de estoques de fertilizantes estão no radar de alerta.

No último raio-X de preços médios do mercado realizado pela ANDA, a tonelada da ureia (nitrogenado) era cotada a US$ 363. Potássio e MAP (fosfatado) foram avaliados entre US$ 500 e US$ 600 a tonelada (preços no porto no Brasil). Mesmo com estas referências, a cadeira geral do agro ainda não estudou o efeito direto da alta dos adubos para os preços de alimentos no Brasil. Mas é possível avaliar os impactos com base no valor dos insumos.

Por isso, o governo brasileiro tem enfatizado a importância de restaurar a arquitetura do livre comércio de produtos alimentícios e fertilizantes que foi aniquilada pelas sanções da Rússia.

Somente em 2022, a Rússia, que foi um dos principais fornecedores de adubos para o Brasil junto de Canadá e China, exportou 8 milhões de toneladas de NPK para os brasileiros no ano passado, com recuo de 13% em relação a 2021.

Ao todo, o Brasil importou cerca de 10% menos em 2022, somadas as 38 milhões de toneladas, indicam dados do Sindicato da Indústria de Adubo em São Paulo (SIACESP). A redução nas vendas dos fertilizantes aconteceu por dois motivos, no ano passado. Uma pelo estoque e outra pela alta nos preços.

Contudo, as vendas no país entre janeiro e novembro do ano passado, dado mais recente, totalizaram 37,7 milhões de toneladas, com recuo de 11% em relação a 2021. Mas no setor, as projeções são de recuperação de entregas este ano, ainda a se confirmarem de acordo com as safras.