SOJA: Plantio começa com expectativa de crescimento reduzida

por | set 19, 2023

A semana foi marcada pelo início do plantio da soja em todo o Brasil para a temporada 23/24. Mesmo com perspectiva de crescimento menor, a estimativa é de mais uma safra recorde para o Brasil. No entanto, esse início é com queda nos preços, o que dificulta as margens e tira o estímulo do produtor em expandir as lavouras, conforme avaliação de muitas consultorias.

A consultoria StoneX estima um crescimento da área de soja em 2% para essa safra. A estimativa é da Datagro. Safras e Mercado também calculam uma área de cultivo com crescimento de 2% e estimam uma safra de 45,62 milhões de hectares para a temporada.

Para a consultoria Agroconsult, o crescimento também deve ser modesto este ano, no entanto, a consultoria não divulgou nenhuma projeção para essa temporada. O Paraná, que é um dos maiores produtores de soja do Brasil atualmente, também iniciou nesta semana o plantio da soja. Segundo o Departamento de Economia Rural – Deral, o plantio já ocorreu em 1% da área total estimada.

Para a Pátria Agronegócios, a semeadura da soja deve ficar em 44,4 milhões de hectares, o que, se confirmado, representará um aumento de 0,48% em comparação com a temporada anterior. O dado aponta para a menor expansão do Brasil desde a safra 2006/7.

O analista de mercado da Pátria Agronegócios, Matheus Pereira, destaca que o Brasil deve ter este ano o plantio mais acelerado da história. “Pelo menos esse início está sendo o mais acelerado. O Mato Grosso iniciou antes da liberação do vazio. O Paraná com mais de 1% semeado, então temos um plantio se desenvolvendo de forma antecipada, porque as chuvas chegaram mais cedo em consequência do fenômeno El Niño”.

E justamente a questão climática, que este ano conta com a presença do fenômeno El Niño, é que mais tem preocupado o mercado. Matheus ressalta que a confirmação do fenômeno em sua forma intensa é o que pode causar grandes problemas.

“Essa confirmação pode trazer sim grandes prejuízos à classe produtiva, especialmente no vale do Araguaia em MT, Tocantins, Goiás, Pará, oeste da Bahia, Piauí e Maranhão. Estamos falando de algo em torno de 18 milhões de hectares sob ameaça, algo a ser considerado”, ressalta.”