Chuvas irregulares e altas temperaturas devem marcar Cerrado e Norte

por | set 19, 2023

A possibilidade de um super fenômeno El Niño assusta os produtores rurais em várias partes do Brasil. Em especial na região Sul, muitos apontam o ciclone extratropical como um resultado da ação do fenômeno.

Mas de acordo com a Rural Clima, as chuvas registradas na região não necessariamente são resultado de uma ação do fenômeno El Niño. O agrometeorologista Marco Antonio explica que as chuvas estão diretamente ligadas às temperaturas elevadas das águas da região leste do oceano Pacífico e norte do Atlântico. “Temos as águas do Atlântico que banham toda a região norte da América do Sul e a faixa leste do Pacífico que banham ali, Equador, Peru e com um grande aporte na atmosfera, fazendo com que os corredores de umidade se intensifiquem mais”. Além disso, segundo ele, é natural que nessa época do ano, o Sul do Brasil registre mais chuvas.

O agrometeorologista ainda pontua que uma ação clássica do El Niño contemplaria chuvas intensas e fortes na faixa central e na região norte do Brasil, diferente do que está ocorrendo. O que ele aponta que realmente é uma influência do El Niño são as altas temperaturas previstas para as próximas semanas. “Essas temperaturas altas estão associadas a esse aumento da temperatura do Pacífico e do Atlântico, ou seja, oceanos muito quentes resultam em temperaturas atmosféricas muito quentes. Ou seja, é um ano de temperaturas muito altas, chuvas mais concentradas no Sul, e irregularidades na região Central e no Norte”.

Segundo Marco Antonio, não há previsão de um super El Niño. “Isso está totalmente descartado. Os modelos não sinalizam isso, mas sim um fenômeno de fraca a moderada intensidade. Mas longe de ser um El Niño clássico, como de anos anteriores. A única questão são temperaturas altas, extremamente altas até o outono de 2024, o que pode ser um agravante para a produção agrícola no Brasil”.

Já no que diz respeito à região Sul, a previsão é de chuvas regulares na última semana de setembro e no início de outubro, quando deve voltar a chover na região.

Levando em consideração o início do plantio da soja, a preocupação se concentra nos estados do Cerrado e Sudeste, com chuvas irregulares, que devem se normalizar segundo as previsões da Rural Clima, somente na segunda quinzena de outubro. O cenário deve trazer apreensão para o mercado.  No entanto, ainda assim, a expectativa é de mais uma safra recorde para o Brasil nesse novo ciclo.