Safra de café em Rondônia começa com otimismo

por | jun 13, 2025

A colheita de café conilon já começou no estado de Rondônia, com destaque para a região amazônica. O lançamento oficial da safra aconteceu no dia 17 de maio, e, apesar de alguns produtores já estarem colhendo microlotes maduros, a maioria deve iniciar os trabalhos com maior intensidade apenas em julho.

Segundo Enrique Alves, pesquisador da Embrapa, esse atraso no calendário tem uma explicação climática. “É uma percepção geral dos cafeicultores que a maturação dos cafés está atrasada este ano. Uma das razões pode ser o prolongamento do período chuvoso.”

De acordo com ele, a maturação tardia não chega a ser um problema. “Não necessariamente é uma coisa ruim, só mesmo um atraso no período de colheita.” Tradicionalmente, materiais precoces já estariam maduros em abril. No entanto, este ano, o amadurecimento se concentrou em maio. O mês, que geralmente marca o início da estiagem, foi marcado por chuvas frequentes e até episódios de friagem. Esses fatores climáticos — céu nublado e temperaturas mais amenas — podem ter impactado o ciclo da planta.

Ainda assim, o clima atual tem sido considerado excelente para o desenvolvimento da lavoura. “Desde o início do ano, o índice de chuva foi bom, a distribuição também, com chuvas consistentes. As plantas estão muito bonitas, muito bem nutridas e com pleno desenvolvimento vegetativo,” relata o pesquisador.

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Apesar do cenário positivo, a safra carrega também uma dose de frustração. “É um ano de frustração, principalmente para os cafeicultores que empregam maior tecnologia, porque a expectativa deles era de uma safra maior.” Embora 98% dos cafezais em Rondônia sejam irrigados, o estresse térmico causado pela seca e pelas altas temperaturas no ano passado comprometeu a florada. “Em algumas regiões, esse estresse coincidiu com a florada. Então, não houve um bom pegamento e houve índice de abortamento dos frutos.”

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Ainda assim, há boas perspectivas. “A safra é boa, com frutos bem engranados e de boa qualidade geral.” E mais: o otimismo se estende para o próximo ciclo. “A expectativa é que a safra de 2026 seja muito boa. As plantas estão descansadas, o regime de chuva está excelente, as temperaturas estão dentro da normalidade.”

Sobre o impacto das chuvas durante a colheita, Enrique ressalta que elas não têm causado problemas. “A chuva foi abundante, mas não ao ponto de causar danos nas lavouras. Ela veio na medida certa.” Para os produtores que trabalham com cafés especiais e microlotes, a previsão também é favorável. “Acreditamos que, a partir de agora, o tempo fique mais firme, com o início do período seco. Isso vai coincidir com a colheita dos microlotes finos.”

Assim, mesmo com o atraso no início da colheita e a frustração pontual de parte dos cafeicultores, a cafeicultura amazônica segue com cenário promissor. E, se o clima continuar favorável, o próximo ciclo pode ser ainda mais produtivo.

 

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