Preços do café caem mais de 20% em junho e geadas preocupam produtores

por | jul 10, 2025

O mês de junho foi marcado por uma forte desvalorização nos preços do café no mercado brasileiro. De acordo com dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), os recuos afetaram tanto o arábica quanto o robusta, enquanto o clima frio intensificou os riscos para a próxima safra.

Café arábica registra o menor valor desde novembro de 2024

O Indicador Cepea/Esalq para o café arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, teve média de R$ 2.126,10 por saca de 60 kg. Isso representa uma queda de 14,4% em relação a maio e o menor patamar desde novembro de 2024, considerando os valores corrigidos pelo IGP-DI de maio de 2025.

Desde o dia 18 de junho, o indicador passou a operar abaixo dos R$ 2.000/sc, encerrando o mês, em 30 de junho, a R$ 1.834,36/sc — acumulando uma expressiva queda de 21,5% no mês. Esse recuo reflete a pressão do mercado internacional, o avanço da colheita no Brasil e a retração na demanda.

Robusta também acumula perdas relevantes

O cenário também foi desfavorável para o café robusta. A média do Indicador Cepea/Esalq do tipo 6, peneira 13 acima, a retirar no Espírito Santo, ficou em R$ 1.256,71/sc, o que corresponde a uma queda de 18,4% sobre o mês anterior. Trata-se do menor valor registrado desde junho de 2024, em termos reais.

No encerramento de junho, o robusta foi cotado a R$ 1.105,07/sc, acumulando uma baixa mensal de 20,75%. Segundo analistas, o movimento também está relacionado ao aumento da oferta global e ao avanço da colheita brasileira.

Leia também:

Coffee Party: a tendência que está transformando as cafeterias brasileiras

 Geadas afetam regiões produtoras e preocupam para a safra de 2026

Além da pressão nos preços, o clima frio trouxe preocupação aos produtores. Geadas foram registradas na semana passada em importantes regiões cafeeiras, especialmente no Norte do Paraná, que foi apontado pelo Cepea como a área mais afetada.

De acordo com os relatos, os impactos ainda estão sendo avaliados, mas muitos produtores já estimam perdas expressivas para a safra de 2026, cuja produção está em formação neste momento. As baixas temperaturas atingiram plantas jovens, mais vulneráveis ao frio severo.

Leia também:

Geada no Sul de Minas atinge -4°C, mas cafezais escapam de prejuízos

Em São Paulo e também em Minas Gerais, foram observados danos pontuais, principalmente em áreas de baixada. No entanto, a safra atual (2025/26), que está em fase de colheita, não sofreu prejuízos significativos relacionados ao clima.