PIB do agronegócio recua 2% no 1º trimestre de 2026

por | ago 10, 2026

Após crescer mais de 12% em 2025, PIB do agronegócio inicia 2026 em queda; setor deve representar 22,8% da economia brasileira no ano

O PIB do agronegócio brasileiro recuou 2,01% no primeiro trimestre de 2026, após registrar crescimento superior a 12% em 2025. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Com base nos resultados consolidados entre janeiro e março, o PIB do agronegócio está estimado em R$ 3,13 trilhões em 2026. Desse total, R$ 1,88 trilhão corresponde ao ramo agrícola, enquanto R$ 1,25 trilhão está relacionado à pecuária.

Diante desse cenário e considerando o desempenho da economia brasileira no mesmo período, a participação do agronegócio no Produto Interno Bruto (PIB) nacional é estimada em 22,8% em 2026. Em 2025, essa participação havia alcançado 25,2%.

PIB do agronegócio mantém tendência de desaceleração

Segundo pesquisadores do Cepea/CNA, o resultado do primeiro trimestre dá continuidade ao movimento observado nos últimos meses de 2025.

No quarto trimestre do ano passado, o PIB do agro já havia apresentado retração em comparação com o trimestre imediatamente anterior. Com isso, foi interrompida a sequência de crescimento registrada até o terceiro trimestre de 2025.

Apesar da mudança de trajetória no fim do ano, o agronegócio encerrou 2025 com avanço expressivo. O resultado anual foi sustentado, principalmente, pelo desempenho positivo registrado nos três primeiros trimestres.

Agora, os números do início de 2026 mostram um cenário diferente, com retração distribuída entre todos os segmentos que compõem o PIB do setor.

Segmento primário registra a maior queda

Todos os segmentos do agronegócio brasileiro apresentaram recuo no primeiro trimestre de 2026. A maior retração ocorreu no segmento primário.

Confira os resultados:

  • Segmento primário: queda de 4,15%;
  • Insumos: queda de 2,15%;
  • Agrosserviços: queda de 1,25%;
  • Agroindústria: queda de 1,03%.

De acordo com o Cepea/CNA, um dos principais fatores por trás desse desempenho é a expectativa de redução do valor da produção agropecuária em 2026.

Embora diferentes atividades agrícolas e pecuárias tenham perspectivas de aumento na produção, a queda dos preços deve superar esses ganhos em diversos segmentos. Dessa forma, mesmo com maior volume produzido em determinadas cadeias, o valor gerado pelo setor tende a enfrentar pressão.

Agroindústria agrícola recua, enquanto pecuária avança

Dentro da agroindústria, o comportamento também foi diferente entre as cadeias agrícolas e pecuárias.

As agroindústrias de base agrícola apresentaram retração no período. Por outro lado, as atividades industriais ligadas à pecuária avançaram, resultado associado à redução mais intensa do consumo intermediário.

Esse movimento ajuda a explicar as diferenças observadas entre os dois grandes ramos do agronegócio no início de 2026.

Agrosserviços refletem desempenho das cadeias produtivas

O segmento de agrosserviços também recuou no primeiro trimestre, influenciado diretamente pelo desempenho das atividades que integram as etapas anteriores das cadeias produtivas.

No ramo agrícola, houve retração. Já os serviços relacionados à pecuária registraram crescimento.

Segundo os pesquisadores, o avanço no ramo pecuário foi sustentado pela expectativa de maior demanda por transporte, comércio e outros serviços associados ao aumento da produção pecuária.

Assim, apesar da retração geral de 2,01% no primeiro trimestre, os resultados mostram comportamentos distintos dentro do agronegócio brasileiro. Enquanto preços mais baixos pressionam o valor da produção e diferentes segmentos registram queda, algumas atividades ligadas à pecuária apresentam desempenho positivo.