Milho safrinha: Brasil tem a maior redução de área desde 2016

por | maio 28, 2024

Somada as questões climáticas, pragas prejudicam a produtividade do cereal no Brasil

O mercado brasileiro de milho em 2023, trouxe grandes preocupações para o produtor. Neste ciclo, os fenômenos climáticos, repetiram nos produtores razões para se preocuparem. No Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a colheita começa a ganhar ritmo. Pesquisadores do Cepea, indicam que a oferta do cereal segue limitada no mercado spot nacional, o que tem estabilizado os preços. Matheus Pereira, analista de mercado da Pátria Agronegócio, pontua que o mercado brasileiro segue em função de construção de oferta para essa segunda safra. Para esse ciclo, a Pátria estima uma produção de 86 milhões de toneladas, apenas para o milho safrinha.

Outro ponto que tem chamado atenção nessa safra, é a queda de área plantada. De acordo com Matheus, essa é a maior redução de área desde 2016, quando o milho brasileiro também foi impactado por um super El Niño. “Isso é quase 16% de redução em comparação com o ano passado. Houve queda de produtividade, como queda de área. Nunca tivemos um corte tão grande de área, quanto no nosso último super El Niño, na safra de 16”.

Colheita ganha ritmo em muitas regiões brasileiras. Foto: Thinkstock

O fenômeno reduz a oferta de chuvas para a região central do país, atrasando a implementação da segunda safra brasileira. Mas não só o El Niño tem prejudicado o setor, como também as pragas em excesso nas regiões Sudeste e Centro-Sul.

“A redução de produtividade também vem dos problemas de excesso de pragas nessas regiões, onde foram notados mais focos de Cigarrinha, explica Matheus.  Infelizmente os mapas climáticos mostram a permanência de uma massa de ar quente de alta pressão, pela região central brasileira, característica de um El Niño de super intensidade.

“Se não há milho para todo mundo, não temos como abastecer o mercado. A grande questão do milho neste ano, mundialmente, Estados Unidos e China que representam 60% da produção global de milho, são quase 680 bilhões de toneladas, estão tendo uma safra satisfatória. Então o momento é de muita atenção, porque os grandes compradores do ano passado, não vão precisar de tanto produto por agora, porque estão com uma safra boa”, conclui Matheus.