MILHO: Maior safra da história com preços no chão

por | maio 31, 2023

O Brasil entrou no último ciclo dessa safra, com o maior volume de soja esperado em toda história do país, 150 milhões de toneladas. E esse grande volume foi fator primordial para um dos principais problemas enfrentados no mercado brasileiro, a falta de espaço para armazenamento.

“O grande problema é que a maior parte dessa soja em produção, estava ainda na mão do produtor rural, que fez a safra mais cara da história, nunca se enterrou tanto dinheiro como neste ano, na atividade da soja em nosso país”, explica Matheus Pereira da Pátria Agronegócios.

Além o custo alto, as taxas de remuneração ao produtor estiveram bem apertadas, o que fez com que a maioria segurasse essa soja na esperança de preços melhores. Mas para o mercado, o grande volume aliado a incapacidade de armazenamento do Brasil, o cenário que se formou foi outro.

Vale lembrarmos nesse contexto que o Brasil possui apenas 60% de capacidade de armazenamento de todo grão que produz. Matheus explica que justamente esse ponto, foi o principal fator de impacto para o cenário que temos hoje se tratando do milho. “Contando todo grãos seco produzido no Brasil, que hoje é mais de 360 milhões de toneladas, a gente tá falando que o déficit de oferta total em nosso país, supera os 160 milhões de toneladas que não possuem capacidade de armazenagem regular”.

E além da falta de espaço para armazenagem, o fator chuva nas regiões portuárias do Brasil entre os meses de fevereiro e abril, também impactaram negativamente o setor, já que impediram um fluxo saudável no escoamento da produção brasileira de soja.

Logística abarrotada

Com a logística interna do Brasil abarrotada de soja, a colheita do milho, segue em ritmo bem lento. Um último levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária – Imea, apontou que no Mato Grosso, por exemplo, em duas semanas foram colhidos apenas 0,49% dos sete milhões de hectares semeados nessa temporada. A maioria dos produtores, como mecanismo de proteção, seguem segurando o grão.

Para essa temporada a expectativa é de uma colheita total de 98 milhões de toneladas. Somando a safra verão, com a segunda e terceira safra, o Brasil tem a projeção de 125 milhões de toneladas nesse ano, a maior safra de milho de toda história do país.

Mas, maior safra de milho com problemas sérios de armazenamento. Matheus destaca o fator que fez com que os preços despencassem nas últimas semanas, quando a saca de 60Kg, chegou a ser encontrada por até R$30,00. “Estamos falando de 98 milhões de toneladas que entram em uma logística ainda engasgada com soja, a gente tem ainda aquele 150 milhões de toneladas produzidas, cerca de quase 70 milhões não vendidas. É muita soja pra escoar, e o milho que entra agora na tentativa de distribuição interna no Brasil, engasgado ainda com soja”.

Segundo Matheus, a dificuldade de escoamento que o Brasil tem hoje, é o principal fator para essa queda de preços. “Os preços hoje estão baixos, sangrando, não são remuneradores ao produtor rural que fez custos elevados com essa segunda safra de milho, porém é uma justificava fundamental pelo excesso da oferta disponível”.

A expectativa de recuperação para esse mercado, segundo ele essa virada de chave do mercado deve acontecer em outubro. “O mercado vai precisar gerar incentivos a classe produtiva para gerar o grão”.