Mal da Vaca Louca: Entenda como fica o mercado brasileiro

por | fev 23, 2023

Após a confirmação do caso do mal da vaca louca no Brasil, os impactos no mercado brasileiro foram inevitáveis. O viés de queda já realidade, já que muitos frigoríficos suspenderam os abates, conforme o explica o analista de Safras e Mercado, Fernando Iglesias.

“Os frigoríficos já passam a mudar as estratégias, muitos ontem nem abriram preços. Ontem não houve abertura de preços e por enquanto não há preço no mercado do boi. O que estamos observando nesse momento, é um mercado que vai assumir uma pressão contundente, principalmente no que diz respeito ao mercado futuro, isso já tá sendo precificado”.  Segundo Fernando, os contratos futuros já sofrem fortes movimentos de queda e os vencimentos de março, abril e maio, chegaram a limite de oscilação para segurar esse movimento.

De imediato, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa, suspendeu as exportações da carne bovina para a China. O país que é o principal parceiro comercial do Brasil, desde 2015 possui um contrato vigente, aonde em casos de ocorrências da doença, o Brasil deve voluntariamente suspender as exportações. O Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, pronunciou ontem a respeito dessa suspensão. A reabertura das exportações vai depender da China.  “Então basicamente o que nós estamos vendo, é uma indústria que vai ter que se adequar com uma ausência temporária do grande importador de carne bovina brasileira, como aconteceu em 2021”.

E o preço da carne, deve cair?

Essa talvez tenha sido uma das principais perguntas dos brasileiros desde a confirmação do caso. Mas Fernando explica que tudo vai depender de quanto tempo deve durar o embargo para as exportações. “Se repetir o que houve em 2021, quando esse embargo durou 100 dias, essa situação pode acontecer, os preços podem cair no mercado interno. Mas, se for um embargo mais curto, o frigorífico mantém a câmara fria lotada, suspende o abate, empurra a escala, mas não precisa disponibilizar esse excedente no mercado interno. A primeira reação do mercado é tirar o bônus por animais padrão China e ficar só na procura por animais para atender mercado interno”.

Caso clássico ou atípico?

Conforme informações do Ministério da Agricultura, amostrar foram coletadas e encaminhadas para o Canadá. O intuito é descobrir se o registro se trata de um caso clássico ou atípico. O caso atípico, que é a suspeita inicial do Mapa, acontece geralmente em animais com idade avançada, que desenvolvem naturalmente a doença. “Já o caso clássico é diferente, ele está relacionado a nutrição animal de má qualidade”, explica Fernando. Ainda segundo ele, o Brasil não reúne características de casos clássicos, que costumam levar embargos mais demorados.  Vale destacarmos que o caso atípico reduz a preocupação de contágio em seres humanos e animais. O Brasil seguiu todos os protocolos vigentes, o animal foi incinerado e a propriedade em questão segue isolada.