Lula defende neutralidade comercial entre EUA e China: “Quero vender e comprar”

por | abr 23, 2025

Presidente reforça posição do Brasil como parceiro comercial de todos

Durante declaração à imprensa ao lado do presidente do Chile, Gabriel Boric, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que o Brasil não deseja tomar partido em disputas geopolíticas entre Estados Unidos e China. Segundo ele, a prioridade brasileira é ampliar parcerias comerciais, independentemente do país de origem. “Eu quero vender e comprar. Não quero fazer opção entre Estados Unidos ou China”, afirmou Lula.

O presidente enfatizou que cabe aos empresários brasileiros decidirem com quem querem negociar, e não ao governo tomar uma posição geopolítica que limite as oportunidades comerciais do país. “Quem tem que ter preferência são os meus empresários que querem negociar.”

Crítica ao protecionismo dos EUA

Lula aproveitou para criticar a recente guinada protecionista do governo norte-americano, que, segundo ele, contraria o discurso de décadas em defesa da globalização e do livre comércio. “Na hora que você tem um presidente da República de um país importante, como os Estados Unidos, que resolve estabelecer a discussão favorável à política protecionista… De repente nada disso [globalização] vale a pena.”

Brasil na América Latina: sem disputa por protagonismo

Na avaliação do presidente, o Brasil não precisa disputar liderança na América Latina. Lula defende que o país tem um papel natural de destaque, e que deve priorizar a colaboração regional. “O Brasil, por si só, já é grande. O Brasil não precisa dessa disputa. O Brasil precisa apoiar que as coisas sejam feitas pelas melhores pessoas possíveis.”

Diversificação comercial é prioridade

O presidente também defendeu a diversificação dos parceiros comerciais, como forma de garantir o crescimento econômico do país. Para ele, a dependência de poucos mercados mantém o Brasil em uma condição de atraso. “Senão vamos continuar mais um século pobre.”  Ele ainda criticou o funcionamento das instituições multilaterais, que, segundo Lula, não foram criadas para beneficiar países em desenvolvimento.

Convites para fortalecer alianças internacionais

Lula convidou o presidente chileno para participar da próxima Cúpula do Brics e também sugeriu a presença de Boric na Cúpula Celac-China, marcada para acontecer em Pequim. Além disso, sinalizou que o assessor especial Celso Amorim poderá articular um encontro bilateral entre Boric e o presidente chinês, Xi Jinping.