Leite: setor mantém alta de preços em setembro, impulsionado pela disputa entre laticínios

por | nov 7, 2024

A trajetória de alta nos preços do leite captado em setembro se manteve firme, confirmando as expectativas do setor. Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, a “Média Brasil” para o leite chegou a R$ 2,8657/litro, representando um aumento de 3,3% em relação ao mês anterior e um expressivo crescimento de 33,8% comparado a setembro de 2023, em valores ajustados pela inflação (deflacionados pelo IPCA).

Apesar do aumento acumulado de 36,4% no preço pago ao produtor desde o início de 2024, a média de janeiro a setembro deste ano, de R$ 2,58/litro, ainda se mantém 4,7% abaixo do mesmo período de 2023. O cenário mostra que a valorização do leite cru em setembro foi impulsionada pela intensa concorrência entre laticínios e cooperativas para garantir matéria-prima, numa conjuntura em que a oferta vinha subindo de forma lenta. Esse movimento foi influenciado pelo clima mais seco, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, e pelos baixos estoques de produtos lácteos.

Mesmo enfrentando adversidades climáticas, a captação de leite em setembro registrou avanço significativo, refletindo a estratégia das indústrias em assegurar volumes para recompor os estoques. Com isso, o Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do Cepea avançou 8,3% de agosto para setembro.

Esse aumento na captação foi viabilizado pelo aquecimento dos preços no campo, acompanhando a valorização dos produtos lácteos. Dados do Cepea e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) mostram que, em setembro, o leite UHT, o queijo muçarela e o leite em pó tiveram aumentos de 7,6%, 2,7% e 1,3%, respectivamente, no atacado paulista.

Contudo, essa trajetória de alta pode estar chegando ao fim. A expansão da captação e a queda nas cotações dos derivados e do leite spot a partir da segunda quinzena de outubro sugerem uma possível inversão nos preços, que podem começar a ceder no campo ainda em outubro.