Hipotermia em bovinos: professor ressalta necessidade de nutrição intensa

por | jun 19, 2023

Surpreendeu a todos neste fim de semana a ocorrência de hipotermia em muitos animais no Mato Grosso do Sul. Nossa reportagem ouviu o médico veterinário, especialista em bovinos, professor da Unifeob, Ivan Luiz, que explicou fatores que potencializaram o ocorrido no último fim de semana.

Apesar de muito se falar em hipotermia, as análises que confirmarão ainda o que de fato teria ocasionado a morte de mais de mil cabeças de gado ainda é aguardada. Mas trabalhando com essa hipótese, que é apontada por muitos pecuaristas, o professor explica que os sinais dão indício que os animais teriam sofrido uma inversão térmica.

“Tudo leva a crer que a morte daqueles animais se trate de uma grande inversão térmica que ocorreu naqueles dias, onde as temperaturas anteriores estavam muito altas e com a entrada de uma frente fria, uma massa polar com muita velocidade no continente, sem uma barreira de uma massa quente, vamos dizer assim, entrou rapidamente e pegou os pecuaristas de surpresa. Houve uma grande mudança de temperatura, com uma queda de mais de 10ºc. Então isso, pode ser que tenha levado os animais a uma hipotermia”.

Segundo o professor, a hipotermia teria vindo principalmente da velocidade que a massa de ar polar entrou e ainda pelo excesso de umidade. “Porque nós tivemos o registro de chuvas alguns dias antes naquela região e somado a presença do evento que acelera esse processo de sensibilidade dos animais, tivemos esse cenário”.

Ele explica que o melhor caminho para evitar que os bovinos venham sofrer com as baixas temperaturas, além das medidas paliativas, como resguarda-los em um galpão com fogueiras ao redor, por exemplo, é investir em nutrição animal.

“Os animais sadios, animais mais nutridos tem maior resistência a esse fenômeno, e principalmente os animais mais jovens, que são mais acometidos por esse fenômeno. Uma das soluções é que melhorem as condições corporais dos animais, nutrir melhor esses animais”.

Essa é a segunda vez que o fenômeno do tipo acontece na região, e no período de estiagem, de seca. As chuvas registradas nos últimos dias, são consideradas atípicas para a época do ano.

Com o déficit de pastagem nesse período, o professor ressalta os preparos necessários para que os produtores consigam investir ainda mais pesado em nutrição animal. “O produtor precisa se preparar pra essa época do ano, estocando alimentos e promovendo a nutrição através de dietas balanceadas dos seus animais e talvez até a reserva de um pastejo diferido para alimentação durante o inverno, afim de levar mais nutrição a esses animais”.