“Grito da Cadeia Láctea” destaca angustia dos pecuaristas brasileiros

por | jun 4, 2024

Produtores reivindicam por mais valorização

O Dia Mundial do Leite foi celebrado no último sábado, 1º de Junho. E para marcar a data, um ato da cadeia leiteira que acontece hoje, no 3º Encontro dos Produtores Brasileiros de Leite.

O Brasil possui 99% dos municípios envolvidos no setor, e a medida visa destacar algumas reinvindicações especificas, como, alíquota zero para seus itens na cesta básica, crédito presumido de 100% para produtores que não são contribuintes, e mais valorização para o setor.

A Abraleite – Associação de Produtores de Leite destaca o desestimulo com a classe produtora nos últimos anos. De acordo com a associação, não só em Minas Gerais, maior produtor de leite, como também em outros estados, a queda no preço pago ao produtor tem sido o principal fator para o abandono da atividade.

“E precisamos lembrar que grande parte dessa queda nos preços, foi em decorrência das importações desnecessárias e predatórias de lácteos (leite em pó e queijos) do Mercosul”, ressalta o Presidente da Abraleite, Geraldo Borges.

E se tratando das importações, que desde o ano passado tem atrapalhado os produtores brasileiros, a Abraleite tem atuado na cobrança de medidas emergenciais. Geraldo destaca o terceiro lugar do Brasil, a nível mundial na cadeia leiteira.

“Temos buscado também pautas estruturantes para o setor, que precisa aumentar a sua competitividade e sair desta condição que se encontra, mesmo sendo importante no cenário mundial, e isso, mesmo com tecnificação e produtividade ainda baixa”.

Os custos altos de produção, dificuldades na logística de captação e distribuição, industrialização e comercialização do leite, estão entre os desafios que mais oneram a cadeia no Brasil. No Congresso Nacional, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), vice-líder do governo e coordenador do grupo de trabalho que trata desse tema na Câmara dos Deputados, defende a importância das reivindicações para fortalecer o setor.  Atualmente, 22 produtos lácteos já possuem alíquota zero, com crédito presumido de 50% para os produtores.

E o Rio Grande do Sul?

O Rio Grande do Sul possui uma força grande a nível nacional na produção de leite, e há algum tempo, assim como os demais estados, vinha sendo penalizado com a alta das importações.

Diante das enchentes  que atingiram o estado e resultaram em perdas gigantescas para o setor, a Abraleite junto da Confederação Nacional de Municípios (CNM), se uniu para atuar frente aos produtores necessitados, com doações de donativos, que foram enviados pela Força Aérea Brasileira – FAB.

Devido as enchentes, os levantamentos apontam um grande número de animais mortos e estruturas leiteiras destruídas. A Abraleite confirma que muitos produtores já vinham abandonando a atividade no estado, mesmo antes da catástrofe.

“Muitos terão dificuldades para se recuperarem e essa é uma realidade muito triste. Houveram produtores que perderam parte e alguns até o total do rebanho com as enchentes, além do cenário de destruição de Instalações, estruturas, equipamentos e solo”, lembra Geraldo.