Em agosto, o Brasil acumulou 1,861 milhão de sacas de 60 kg de café não embarcadas, refletindo os persistentes atrasos e alterações nas escalas dos navios para exportação, conforme levantamento do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Os associados do conselho representam 77% dos embarques totais.
No mês passado, o Brasil conseguiu exportar 3,774 milhões de sacas a um preço médio de US$ 256,55 por saca. Assim, o volume de café não embarcado devido a gargalos logísticos resultou em uma perda de US$ 477,41 milhões em receita cambial, de acordo com o Cecafé. Além disso, os exportadores associados enfrentaram custos adicionais e imprevistos de R$ 5,364 milhões.
Segundo o Boletim Detention Zero (DTZ), elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé, 69% dos navios — ou 197 de um total de 287 embarcações — sofreram alterações nas escalas ou atrasos nos principais portos do Brasil. O maior período de espera registrado foi de 29 dias entre a abertura do primeiro e do último prazo no Porto de Santos.
Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé, destacou em um boletim que a entidade está buscando dialogar com autoridades públicas e privadas para encontrar soluções que, ao menos, minimizem os prejuízos ao comércio exportador. “Esse cenário é reflexo dos congestionamentos portuários e da falta de infraestrutura adequada nos portos brasileiros, que não conseguem atender à crescente demanda das cargas conteinerizadas destinadas à exportação”, afirmou.
Ele ainda acrescentou que são necessários investimentos ampliados e maior celeridade na execução dos projetos existentes. “Além da adoção de novas medidas. Apesar dos recordes que o café vem alcançando, o potencial dos embarques já está diminuído, como demonstram as 1,9 milhão de sacas acumuladas e sem embarque em agosto.”
