Missão técnica brasileira nos cafés Colombianos

por | jun 30, 2023

Por: Luisa Nogueira 

Esta semana vivenciei uma expedição maravilhosa pela produção colombiana de café junto às mulheres vencedoras do concurso Florada Premiada da 3 Corações. A Colômbia é um país que busca incessantemente por mais qualidade na xícara, tanto que atualmente detém o título de café com a maior qualidade do mundo.

Nesta expedição, percorremos todas as etapas da cadeia produtiva. Visitamos a Federação dos Produtores de Café da Colômbia, onde fiquei impressionada com a gestão da instituição, unificando os cafeicultores e oferecendo estrutura de campo – com pesquisa e assistência – ao mercado, com serviços de beneficiamento e exportação, incluindo café torrado e moído.

A Cenicafé, que é a instituição de ciência e pesquisa, junto com os produtores, investiu cerca de seis milhões de dólares nos últimos anos em estudos que, entre outras coisas, ajudam no melhoramento de variedades resistentes a pragas e doenças. O retorno obtido com esse investimento foi de 230 milhões de dólares e resultou também em uma prática importante em tempos em que o mercado busca cada vez mais produções sustentáveis. Com base nos resultados das últimas pesquisas, a Colômbia conseguiu reduzir em cerca de um milhão de litros o uso de fungicidas em suas lavouras de café. Ou seja, a busca pela qualidade incrementa tecnologias e práticas diferenciadas que trazem resultados não só na xícara, mas também no campo, com uma lavoura saudável e em completa sintonia com as reservas naturais.

Falando em reservas naturais, o Cenicafé fica em Manizales e é cercado por 90 hectares de mata preservada.

Mas confesso que as pesquisas realizadas por eles foram o que mais me chamou atenção. Os testes realizados com as mudas cafeeiras têm uma germinação em estufa, além do cultivo de plantas cafeeiras in vitro. Esse é um processo realizado com as plantas-mãe. Essa tecnologia permite o desenvolvimento das plantas em menos tempo e otimiza as pesquisas.

Atualmente, a Colômbia produz em média 17 sacas por hectare. Eles ganham na xícara o que falta em termos de volume, já que o país produziu 11 milhões de sacas em 2022.

Outra curiosidade que também me chamou atenção nesse lugar foram os estudos em torno da biodiversidade local. Durante as pesquisas realizadas ali, encontramos o observatório das borboletas, que serve como indicador para análises ambientais, principalmente de biodiversidade.

Falando sobre práticas sustentáveis, outro fator importante que percebi ao percorrer as fazendas é como a Colômbia tem incentivado a preservação de reservas naturais nessas propriedades, e principalmente a preservação da água. O foco deles atualmente é disseminar nas propriedades a ideia principal da importância da preservação ambiental.

Há alguns anos, a Colômbia sofreu muito com o clima, e por isso esse incentivo na preservação de nascentes e no uso consciente da água nas propriedades é tão grande. Em uma das fazendas que visitamos, encontramos um processo de reaproveitamento das águas que saem dos lavadores de café. Elas passam por um processo que elimina resíduos sólidos, são clorificadas e vão para os chamados filtros verdes, onde são aproveitadas no desenvolvimento de outras plantas.

É isso, estamos falando de propriedades que cultivam café a 2.200 metros de altitude, agora com práticas sustentáveis e muito investimento em pesquisa.

Não posso deixar de citar a forma artesanal como o café é trabalhado nas fazendas. A estrutura é simples e possui pouca tecnologia se comparada ao Brasil.

Está sendo uma experiência ímpar poder conhecer produtores que, de forma artesanal em várias partes do processo, alcançam excelência em termos de qualidade na xícara. Cafés incríveis, com companhias incríveis, em uma parceria incrível!

Vou ficando por aqui. Continue acompanhando o Agro junto conosco e fique por dentro de tudo o que acontece no agronegócio dentro e fora do Brasil.