Ciclone destrói estrutura de pecuaristas no RS

por | jul 14, 2023

No estado do Paraná, pelo menos 20 municípios foram gravemente afetados pela passagem do ciclone extratropical. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as rajadas de vento atingiram velocidades de até 90 quilômetros por hora em Marechal Cândido Rondon, na região Oeste. Imagens revelam os estragos, com árvores caídas nas ruas, parte de telhados no chão, vidros quebrados e carros danificados. Na região serrana de Santa Catarina, os ventos chegaram a aproximadamente 147 quilômetros por hora.

Cerca de 300 mil residências ficaram sem energia elétrica. Em Irineópolis, no norte do estado, o grande volume de chuvas resultou em ruas alagadas e uma lavoura de trigo completamente coberta pela água. A Defesa Civil confirmou a ocorrência de uma explosão de nuvem que destruiu um galpão na cidade de Herval do Oeste. Além disso, barragens em dois municípios precisaram ser fechadas para controlar o fluxo de água.

Segundo o secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil, coronel Luiz Armando Schroeder Reis, a explosão de nuvem não é um fenômeno climático comum. Ele descreveu o evento como a descarga completa de água de uma nuvem em um único lugar, resultando em destruição. O registro máximo de ventos durante a madrugada atingiu 147 km/h. A operação das barragens foi necessária para regular o fluxo de água no Rio Itajaí, porém, mesmo assim, o volume intenso provocou o aumento do nível do rio. Ao longo de dois dias, foram registrados 150 milímetros de chuva na região.

No Rio Grande do Sul, o ciclone causou a morte e afetou 51 municípios com chuvas intensas, granizo e vendavais. O fenômeno resultou no destelhamento de casas e causou prejuízos significativos para os produtores de leite. A Gadolando, Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul, relatou a destruição de galpões e mais de 500 pecuaristas tiveram suas fazendas afetadas, especialmente na região de Celeiro, no noroeste gaúcho. Marcos Tang, presidente da Gadolando, informou que os galpões, incluindo as salas de ordenha e os equipamentos, foram completamente destruídos. A situação dos produtores é crítica, pois não possuem estrutura para ordenhar as vacas e há perdas de animais, principalmente suínos. Tang ressaltou a necessidade de auxílio imediato para cuidar dos animais e avaliar os danos posteriormente. Centenas de produtores de leite foram afetados.

De acordo com a Defesa Civil Gaúcha, este é o terceiro ciclone a atingir a região em menos de 20 dias. Estima-se que cerca de 18 mil pessoas tenham sido afetadas pelo evento climático. Os danos econômicos nos setores agrícola e residencial são significativos. Até o momento, mais de 5 mil residências tiveram seus telhados danificados. Será necessário reconstruir prédios públicos, mas ainda não há uma estimativa precisa dos prejuízos. A prioridade atual é garantir o bem-estar das pessoas e, somente após o fim do evento, será possível avaliar os danos de forma mais precisa. O governador em exercício, Gabriel Souza, destacou que o Rio Grande do Sul tem sido afetado por eventos climáticos, como secas e fortes chuvas, incluindo ciclones. Este já é o terceiro a atingir o estado este ano, causando danos econômicos significativos em 2023.