O mês de janeiro deve ser marcado por chuvas abaixo da média em grande parte do Brasil, segundo a análise climática mais recente. Ainda que os volumes previstos fiquem aquém do normal para o período, a tendência é de que as precipitações ocorram de forma mais distribuída entre as regiões, porém com irregularidade ao longo do mês.

Nas principais regiões produtoras de café, o cenário exige atenção, especialmente pela combinação entre chuvas mal distribuídas e elevação das temperaturas, fatores que podem impactar o desenvolvimento das lavouras.
Situação nas regiões cafeeiras
Para áreas como São Paulo, Rio de Janeiro, sul de Minas Gerais e Rondônia, não há expectativa de períodos prolongados de estiagem. As chuvas devem ocorrer com certa frequência, ainda que de maneira irregular em alguns pontos, principalmente em São Paulo e no sul mineiro.
Já a atenção se volta de forma mais intensa para Bahia e Espírito Santo. Nessas regiões, os modelos climáticos indicam a possibilidade de um intervalo entre 10 e 20 dias com poucas ou nenhuma chuva, o que pode favorecer o aumento das temperaturas e gerar estresse hídrico nas lavouras de café.

A expectativa, no entanto, é de que no final de janeiro as condições para chuvas voltem a melhorar nessas áreas, contribuindo para a retomada gradual do equilíbrio climático.
Temperaturas tendem a ficar acima da média
Com a previsão de chuvas irregulares ao longo do verão, as temperaturas devem permanecer acima da média em diversas localidades do país. Ainda assim, os especialistas destacam que não há indicação de ondas de calor extremas ou prolongadas.
Os períodos mais quentes devem ocorrer de forma pontual, sem longas sequências de calor intenso, o que reduz o risco de danos mais severos às lavouras.
Nas regiões cafeeiras com maior irregularidade das chuvas — especialmente Espírito Santo, Bahia e parte de Minas Gerais — as temperaturas podem se elevar de maneira mais acentuada. Porém, com o retorno das precipitações, a tendência é de normalização gradual das temperaturas.
Situação climática global: neutralidade no Pacífico
Desde dezembro, o Brasil se encontra sob condições de neutralidade climática no Oceano Pacífico. Apesar de ainda haver um leve resfriamento das águas, o cenário atual já não se caracteriza como La Niña.
Quanto à possibilidade de um El Niño, existe sim uma chance de retorno do fenômeno no segundo semestre do ano, mas os especialistas reforçam que ainda é cedo para qualquer projeção mais precisa sobre sua intensidade ou impactos.
Atenção ao manejo
Diante desse cenário, o acompanhamento climático contínuo e o manejo adequado das lavouras serão fundamentais, especialmente nas regiões com maior risco de irregularidade das chuvas. O comportamento do clima em janeiro pode influenciar diretamente o desenvolvimento do café nas próximas fases do ciclo produtivo.
