Chuva de granizo surpreende produtores de café em MG e SP após seca severa

por | set 20, 2024

As regiões cafeeiras de Minas Gerais e São Paulo enfrentam um novo desafio. Após uma estiagem severa, chuvas de granizo foram registradas em várias cidades, prejudicando lavouras já impactadas pela falta de água. A agrometeorologista Bruna Peron, da Rural Clima, explica os fatores que levaram a esse fenômeno e alerta que ele pode se repetir nas próximas semanas.

Déficit hídrico e impacto nas lavouras

O forte déficit hídrico, que tem atingido todas as regiões produtoras de café no Brasil, tornou-se uma preocupação constante para os produtores. No Sul de Minas, por exemplo, o déficit já atinge 125 milímetros, enquanto em áreas do Cerrado Mineiro, como Patrocínio, o número chega a 295 milímetros. Nesta quinta-feira (19), os produtores foram surpreendidos pela chegada de chuvas em alguns municípios, mas o que chamou mais atenção foi a presença de granizo, atingindo lavouras em cidades como Pratinha, Distrito de Tobati, Ibiá e São Sebastião do Paraíso.

A explicação meteorológica para o granizo

Segundo Bruna Peron, essas pancadas de chuva são isoladas, mas continuarão sendo observadas em áreas cafeeiras de Minas Gerais e São Paulo, especialmente durante a madrugada. “Foram chuvas pontuais e a atmosfera está começando a recuperar a umidade aos poucos”, explicou.

Mas o que causa o granizo após um período de seca severa? A meteorologista esclarece que o fenômeno ocorre quando a umidade consegue formar nuvens de chuva e encontra uma atmosfera muito aquecida. “Esse calor acumulado gera tempestades intensas, e, em alguns casos, a formação de pedras de gelo, resultando na chuva de granizo”, afirma.

Condições climáticas favoráveis ao granizo

Infelizmente, 2024 tem sido um ano propício para a ocorrência de eventos de granizo, especialmente com a combinação de uma atmosfera aquecida e a chegada de frentes frias. “O choque entre as massas de ar quente e frio é o que provoca esses fenômenos”, ressalta Bruna Peron. Ela alerta que este cenário pode se repetir ao longo das próximas semanas, afetando principalmente as regiões de Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná durante a primavera.