Uma pesquisa recente do Rabobank revelou uma mudança significativa no consumo de carne bovina na China, impulsionada pela desaceleração econômica e pela expectativa de crescimento mais lento, estimado em 5%. A demanda por produtos premium caiu, à medida que os consumidores chineses priorizam produtos de boa qualidade, mas com preços mais acessíveis. Apesar dessa mudança, o consumo de carne na China cresceu em uma taxa anual de 3,2% entre 2013 e 2023, o que representa o crescimento mais rápido entre as proteínas terrestres.
Com o Brasil consolidado como o principal fornecedor de carne bovina para o país asiático, acompanhar essas tendências de consumo é crucial para entender como o mercado global pode evoluir.
Impacto no mercado brasileiro
Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista de mercado da Safras & Mercado, a China tem mantido uma alta demanda por carne bovina, com grande parte dessa demanda sendo suprida pelo Brasil.
“A China vem ampliando o consumo de carne bovina ano após ano e, felizmente para o Brasil, concentra suas compras aqui. Essa dinâmica deve se manter e até se intensificar ao longo desta década, considerando como o mercado tem evoluído em relação aos nossos concorrentes diretos”, afirma Iglesias.
Atualmente, cerca de 44% de toda a exportação brasileira de carne bovina tem como destino o mercado chinês. “É um mercado fantástico, e o Brasil tem uma grande capacidade de fornecer produto para a China. Embora haja uma relação de dependência, é uma codependência: a China também depende do Brasil para suprir suas necessidades de carne bovina”, explica o analista.
Expectativas para o futuro
A relação comercial entre o Brasil e a China segue sólida, e a expectativa é de crescimento contínuo nas exportações ao longo da próxima década. Iglesias ainda destaca que o saldo das exportações brasileiras de carne em 2024 é extremamente positivo, com o país a caminho de bater recordes de volume exportado. “O Brasil se consolida como o grande fornecedor global de carne bovina, e essa posição deve se fortalecer ainda mais nos próximos anos”, conclui.
