A certificação de boas práticas pode, de fato, aumentar a renda dos produtores, de acordo com muitos especialistas no setor agrícola. A certificação pode ajudar a garantir que os agricultores estejam seguindo práticas sustentáveis e responsáveis, o que pode aumentar a qualidade do produto e sua aceitação no mercado. O Brasil, como o maior exportador de café do mundo, com 39,35 milhões de sacas atingidas ano passado, tem interesse neste comércio de forma justa.
No entanto, aquele produtor que comprovadamente obedece a boas práticas trabalhistas e que remunera os pequenos produtores de maneira adequada para tal certificação ainda é coadjuvante em nosso país: em 2021, dado mais recente, o Brasil vendeu 240 mil sacas de café com a certificação Fairtrade (comércio justo) ao mercado externo, o que representou menos de 10% do total do mercado global, de 3,1 milhões de sacas, segundo a Fairtrade Internacional.
Fairtrade Internacional, que tem em seu nome o “comércio justo”, é uma organização sem fins lucrativos que trabalha para garantir que os produtores recebam um preço justo pelos seus produtos e que as condições de trabalho sejam justas. A organização tem um sistema de certificação que ajuda os produtores a melhorar suas práticas agrícolas, ambientais e sociais, além de promover a igualdade de gênero. É uma forma externa em escala mundial de regular as boas práticas na produção cafeeira.
Grandes produtores não são certificados pelo motivo de já terem acesso aos mercados. Já os pequenos podem obter ganhos ao serem avaliados critérios que ajudam a combater a pobreza, incentivar a sustentabilidade e capacitar os produtores nos países mais pobres do mundo. Tanto os produtores quanto os comerciantes têm que se adequar aos critérios para manter a certificação.
Além disso, a certificação Fairtrade ajuda os produtores a acessar novos mercados e a se conectar diretamente com os compradores, o que pode levar a uma maior renda. Os compradores também podem usar a certificação Fairtrade como uma forma de garantir que seu café seja produzido de maneira sustentável e responsável.
Apesar do gigantismo do agronegócio brasileiro, o Brasil ainda fica atrás de outras nações da América Latina no número de produtores com certificação da Fairtrade International. No país, 54 cooperativas e associações de produtores têm o selo, um número inferior ao da Colômbia, que tem 257, e também ao de outros latino-americanos, como Peru e México.
