Apesar de já existir uma expectativa global de que as chuvas no Brasil se regularizem em outubro, os boatos sobre a seca nas regiões produtoras de café já impactam as cotações.
“Nós tivemos uma alta de 2,00 por libra até hoje, fechando praticamente a 2,70 por libra. Então, em partes, o mercado já reagiu a esse cenário no Brasil”, explica Heberson Vilas Boas Sastre, Gerente de Mesa de Operações da Minasul.
Mesmo com previsões otimistas para a regularização das chuvas em outubro, caso isso não ocorra, a tendência, segundo Sastre, é de uma nova elevação nos preços. “Se observarmos, Nova York, no início do ano, estava entre 1,80 e 2,00 por libra”, ressalta Heberson.
Impactos na safra de 2025
Os impactos no próximo ciclo produtivo têm levado muitos produtores a, mesmo com a insegurança, aproveitarem o momento para comercializar seus cafés. “Semana passada, chegamos a preços próximos de R$ 1.600,00 para a safra de 2025 em alguns momentos. Mas a preocupação é grande, porque a chuva de agora vai refletir diretamente na próxima safra”, destaca Heberson.
A preocupação não se limita apenas ao Brasil, maior produtor e exportador do grão. Uma produção menor, que é o principal receio dos produtores, poderia impactar toda a cadeia do café, atingindo diversos países. O volume de produção interfere diretamente na oferta do café brasileiro no mercado global.
“Se não chover agora, as primeiras flores caem. Teremos, então, a florada principal, e se não chover, o grão não se desenvolve. A principal variável será a quantidade de café a ser ofertada. Em segundo lugar, vem a qualidade. Vamos imaginar que chove bem agora, mas, no primeiro trimestre de 2025, falta chuva. Aí, acontece o que vimos este ano: temos quantidade, mas as peneiras são baixas”, explica Heberson.
Impactos financeiros para o produtor
Do ponto de vista do produtor de café, os impactos financeiros são consideráveis. Ele já investiu no manejo da lavoura e nos custos de produção ao longo de todo o ano, chegando agora à fase crucial da florada. “Se a chuva não vier, a quantidade colhida por hectare cai, o que atrapalha a produtividade. E uma menor produtividade significa um custo de produção mais alto”, alerta Heberson.
Sobre o mercado para 2025, os produtores estão participando com cautela, travando parte dos custos de produção em pequenos percentuais, mas mantendo a atenção nas incertezas climáticas.
Além do clima, Heberson destacou uma preocupação crescente com a logística. “A logística nas regiões produtoras, daqui até o porto, e a logística marítima global enfrentam dificuldades. O Porto de Santos, por exemplo, está sobrecarregado, o que impacta a liquidez para o produtor. Ainda não é grave, mas a preocupação com a logística é real”, finaliza.
