Cafeicultura: colheita se aproxima com desafios de maturação

por | abr 29, 2025

Minas Gerais, maior estado produtor de café do Brasil, se prepara para dar início à colheita da safra 2025. De acordo com o pesquisador da Epamig, Gladyston Carvalho, algumas áreas pontuais já começaram os trabalhos, mas o avanço ainda é limitado. “A colheita efetiva deve começar mesmo em maio. Hoje temos apenas cerca de 30% a 40% dos frutos em ponto de maturação ideal para produzir cafés de qualidade”, explica.

Colheita deve enfrentar desafios com a maturação dos grãos no Sul de Minas

Esse início mais lento está ligado, principalmente, ao atraso na maturação dos frutos. Embora o ciclo deste ano esteja um pouco mais regular do que o anterior, a seca intensa registrada em fevereiro afetou o desenvolvimento das lavouras. “Tivemos um intervalo de florescimento de 10 a 15 dias, o que gerou alguma desuniformidade. A estiagem acabou adiantando os frutos do ponteiro, mas o restante está se desenvolvendo bem, dentro do esperado para o período”, afirma Gladyston.

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Com relação ao rendimento, o pesquisador aponta que ainda é cedo para cravar uma tendência definitiva, mas alerta para possíveis perdas em peneira. “A expectativa é que os grãos estejam menores este ano, principalmente por conta do estresse hídrico de fevereiro. A boa notícia é que podemos ter uma casca mais fina, o que pode ajudar a equilibrar o rendimento final entre o que sai da roça e o que é beneficiado”, detalha.

Apesar dos desafios, o cenário das lavouras em abril melhorou consideravelmente com o retorno das chuvas. “Depois de 40 a 45 dias de estiagem e calor intenso, a retomada das precipitações em março e o bom volume em abril trouxeram alívio. As lavouras estão mais vigorosas e houve uma reposição importante de água no solo, nas nascentes e nos cursos d’água”, destaca.

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Gladyston reforça que, embora a chuva durante a colheita represente um obstáculo para o cafeicultor, o estresse prolongado ou o atraso das chuvas seriam ainda piores. “Esse equilíbrio é fundamental, tanto para garantir a qualidade da safra atual quanto para preservar a saúde das plantas para os próximos ciclos”, finaliza.