A recente escalada nas tensões comerciais entre Estados Unidos e China reacende um cenário já conhecido do agronegócio brasileiro: o de oportunidade. Com a redução drástica nas compras de commodities agrícolas norte-americanas por parte dos chineses, o Brasil surge novamente como um dos principais beneficiários desse reposicionamento geopolítico no comércio internacional.
Segundo o analista de mercado Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, os primeiros sinais desse movimento já estão visíveis. “Tivemos um cancelamento de 12 mil toneladas de carne suína que seriam embarcadas dos EUA para a China. Parte desses volumes deve ser redirecionada para o Brasil, que tem mantido um bom relacionamento comercial com os chineses”, explica.
Para Iglesias, o impacto para o Brasil deve ser imediato, especialmente no setor de proteína animal. “O Brasil deve ser o país que mais se beneficia dessa disputa tarifária. A China tende a redirecionar boa parte de suas compras de commodities para o mercado brasileiro.”
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EUA acusa o Brasil de práticas desleais
Enquanto isso, a secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins, reconheceu em entrevista à CNN que as exportações americanas, sobretudo de carne suína e soja, sofreram retração expressiva. Ela destacou que a demanda chinesa por carne suína dos EUA caiu 72% em apenas uma semana. Rollins admitiu que Brasil e Argentina avançaram no fornecimento para o mercado chinês, enquanto acusou os países de praticarem comércio “desleal” por meio de barreiras sanitárias e exigências não tarifárias.
Apesar das críticas, o Brasil continua em posição estratégica. Além de ser um dos maiores exportadores globais de soja e carne bovina, o país mantém laços comerciais consolidados com a China, o que o coloca como opção confiável em tempos de instabilidade entre potências.
Para o agro brasileiro, a disputa entre EUA e China representa, mais uma vez, uma janela de crescimento – especialmente para quem está atento às movimentações do mercado externo e preparado para atender às exigências sanitárias e logísticas do principal comprador de commodities do planeta.
