Nos últimos meses, o cafeicultor brasileiro vivenciou recordes históricos nas cotações do café. O grande destaque desse cenário é a oportunidade que o momento representa para a capitalização do produtor. Apesar das oscilações naturais do mercado, as recentes valorizações têm sido positivas, com a saca de café chegando a quase R$3 mil.
Fatores que impulsionaram a cotação do café brasileiro
Oscilações no mercado de café são comuns. No entanto, historicamente, as correções de preço nessa época do ano tendiam a puxar os valores para baixo. Nesta temporada, fatores climáticos têm impactado diretamente o valor do grão, influenciando na redução dos estoques, que atingiram os menores níveis em anos.
Diferente do passado, quando o Brasil mantinha estoques abundantes, o cenário atual é de oferta limitada. Nos últimos anos, a falta de incentivos financeiros dificultou um crescimento significativo na produção. O aumento na produtividade só foi possível graças às inovações tecnológicas e ao aprimoramento das práticas de manejo adotadas pelos produtores.
Com estoques de café em níveis críticos, o mercado enfrenta pressão para suprir a demanda
Com estoques críticos, o mercado enfrenta pressão para suprir a demanda
“O consumo de café cresceu e novos consumidores surgiram no mercado. Quando somamos isso aos impactos climáticos dos últimos quatro anos, problemas logísticos, inflação e altos custos financeiros, percebemos que o modelo de negócio mudou. Isso explica as fortes valorizações”, analisa Luiz Fernando dos Reis, superintendente comercial da Cooxupé.
Devido aos altos custos, comerciantes e indústrias reduziram seus estoques, tornando as transações de curto prazo mais frequentes. A escassez das safras anteriores agravou ainda mais essa dinâmica, reduzindo drasticamente a oferta. Paralelamente, um forte movimento de compra de contratos futuros na Bolsa de Nova York contribuiu para a elevação dos preços.
“Essas altas iniciaram-se por fatores fundamentais e foram potencializadas por elementos financeiros, levando a recordes históricos na Bolsa de NY”, reforça Luiz Fernando.
O preço do café pode subir mais?
Essa é a pergunta que mais tem sido feita pelos cafeicultores. Atualmente, a saca de café está sendo comercializada a cerca de R$2.800,00, representando uma valorização significativa do grão.
O analista de Safras & Mercado, Gil Barabach, destaca que os fundamentos de mercado sustentam os preços firmes, principalmente devido à entressafra.
“Mais de 90% da safra já foi comercializada, e o produtor está capitalizado, observando a tendência de alta. Muitos devem segurar as vendas até a próxima safra, mantendo esse cenário por um tempo”, explica.
Escassez de estoques de café coloca o mercado em alerta.
Escassez de estoques coloca o mercado em alerta
Embora o mercado possa passar por oscilações até a chegada da próxima safra, a tendência é de um período favorável para o cafeicultor. A expectativa é de que a demanda continue sustentando a valorização do produto.
“Haverá mais compradores do que vendedores, o que fortalece a posição do produtor. Além disso, com os preços elevados, o produtor precisa vender menos sacas para se capitalizar. Antes, eram necessárias três sacas para obter o mesmo retorno que ele consegue com apenas uma hoje”, destaca Barabach.
Corda-de-viola e outras plantas daninhas surgem em meio aos cafeeiros em MG
Como o cafeicultor pode aproveitar essa alta nas cotações?
A cautela é essencial para os produtores diante deste cenário. Segundo Luiz Fernando dos Reis, da Cooxupé, é fundamental planejar investimentos de acordo com a capacidade produtiva. “Evitar endividamento e travar parte dos custos com os preços atuais são estratégias que não devem ser descartadas”, recomenda.
Com a nova safra se aproximando, preços atrativos devem demandar uma análise criteriosa. “Este é um momento de oportunidade para o produtor. Ele deve analisar bem o mercado e praticar a chamada ‘gestão de oportunidade’, garantindo uma estratégia de comercialização que maximize os ganhos”, sugere Barabach.
O café Robusta também deve alcançar recordes?
Enquanto a produção de arábica enfrenta desafios, a expectativa para o café Robusta e Conilon é positiva. Nos últimos meses, a saca de Conilon foi comercializada por valores superiores a R$2 mil. Com uma safra maior no Espírito Santo e em Rondônia, o Brasil deve aumentar a oferta desses grãos.
No entanto, o cenário internacional também influencia. A produção no Sudeste Asiático deve ser observada de perto, já que as condições climáticas lá estão mais favoráveis neste ano.
Colheita de café robusta deve ser ainda maior
Um cenário de oportunidades, mas que exige estratégia
O momento é de oportunidade para o cafeicultor brasileiro, independentemente da variedade produzida. O mercado segue pressionado por estoques baixos e alta demanda, o que deve sustentar preços elevados no curto e médio prazo.
Contudo, a estratégia na comercialização é essencial para maximizar os ganhos. O produtor deve estar atento aos movimentos do mercado, aproveitar as valorizações sem comprometer sua segurança financeira e se preparar para eventuais mudanças no cenário econômico. Com planejamento e boas decisões, este pode ser um período de crescimento e consolidação para o setor cafeeiro brasileiro.
Café: mercado segue firme, mas incertezas no clima preocupam
