O ano de 2024 trouxe um respiro para os produtores de leite no Brasil, e o cenário para 2025, exige atenção redobrada devido ao aumento dos custos e à pressão de baixa nos preços do leite. A consultora de mercado Juliana Pila, da Scot Consultoria, apresentou um panorama do setor leiteiro, destacando as principais tendências para o setor.
“Em 2024, os preços do leite ao produtor apresentaram uma curva ascendente na maioria dos meses, enquanto os custos de produção ficaram mais estáveis. Isso proporcionou uma margem mais favorável em comparação aos anos anteriores”, explicou Juliana.
Contudo, o início de 2025 deve trazer um cenário diferente: “A oferta de leite deve continuar crescente, favorecida por boas condições climáticas nas principais bacias leiteiras. Com isso, os preços ao produtor tendem a seguir em queda nos primeiros meses do ano”.
Já os custos de produção devem aumentar e dentre os fatores responsáveis, está a alta do dólar, que impacta os produtos importados usados na atividade leiteira, e o reajuste do salário mínimo, que eleva os custos com a mão de obra. “Esse aumento nos custos, somado à queda nos preços do leite, deve estreitar as margens do produtor, tornando o início de 2025 mais desafiador que 2024”, afirmou.
Sobre as importações, que foram significativas em 2024, há uma tendência de redução em 2025 devido ao aumento do dólar e à menor oferta de leite em países como Argentina e Uruguai. Já em relação às exportações brasileiras, houve crescimento em 2024, mas o volume ainda representa menos de 1% da produção nacional.
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Para Juliana, o maior desafio para o produtor em 2025 será acompanhar a demanda, que pode ser afetada pelo poder aquisitivo da população. “O consumo de lácteos está diretamente ligado à renda. Se houver uma redução na demanda, isso poderá impactar ainda mais os preços. Com um cenário complexo pela frente, a palavra-chave para os produtores em 2025 será planejamento”, concluiu.
