O mercado pecuário brasileiro enfrenta um cenário de queda nos preços da arroba do boi gordo, reflexo do aumento da oferta e do consumo interno abaixo do esperado. Em São Paulo, a arroba é negociada a R$ 315, enquanto o “boi padrão China” mantém valores superiores.
Segundo especialistas, esse movimento já era esperado para fevereiro, após um janeiro de preços mais elevados devido à menor oferta no período de férias. E o mercado interno tem se mostrado mais fraco, porém as exportações seguem em um bom ritmo.
Exportações em alta e impacto da China
Apesar das tensões comerciais com a China – que iniciou uma investigação sobre possível prática de dumping pelo Brasil –, as compras do país asiático continuam firmes. Com o fim das festividades do Ano Novo Chinês, a expectativa é que a demanda cresça, impulsionando os embarques e trazendo mais liquidez para o setor.

Oferta maior e mudanças no padrão de abate
A pressão sobre os preços no mercado interno se deve, em grande parte, à maior oferta de fêmeas descartadas, consequência do atraso na estação de monta causado pela seca severa do ano passado.
Essa maior disponibilidade de animais também reflete uma tendência de mudanças no padrão de abate. O mercado exportador tem preferido bois mais jovens, de até 30 meses, o que estimula os pecuaristas a adotarem um sistema mais eficiente e com maior giro de animais na fazenda.
De acordo com especialistas, essa estratégia pode trazer melhores margens de rentabilidade, pois permite um melhor aproveitamento das pastagens, alinhando a pecuária a um modelo já consolidado em culturas como soja e milho.
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Mercado físico e atacadista: o que esperar?
O mercado físico do boi gordo segue com tentativas de compra em valores mais baixos, principalmente na região Norte. Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, a oferta de fêmeas ainda é significativa, facilitando a composição das escalas de abate pelas indústrias.
No mercado atacadista, os preços da carne bovina continuam estáveis.
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Média da arroba do boi (a prazo)
- São Paulo: R$ 313,42
- Goiás: R$ 298,57
- Minas Gerais: R$ 305,32
- Mato Grosso do Sul: R$ 303,07
- Mato Grosso: R$ 303,18
Com exportações aquecidas e o consumo interno ainda instável, os pecuaristas devem ficar atentos às oscilações do mercado e buscar estratégias para aumentar a eficiência produtiva. A tendência é clara: quem se adapta às novas exigências e melhora a gestão da produção, garante mais rentabilidade e competitividade no setor.
