Oferta limitada de animais e escalas curtas de abate pressionam frigoríficos e sustentam a valorização da arroba do boi gordo nas principais regiões produtoras do Brasil
O preço da arroba do boi gordo chegou a R$ 380 em São Paulo, em meio a um cenário de valorização no mercado pecuário brasileiro. As cotações avançaram em importantes regiões produtoras do país, impulsionadas principalmente pela oferta restrita de animais prontos para o abate e pela necessidade de reposição dos frigoríficos.
De acordo com levantamento da consultoria Safras & Mercado, a dificuldade para completar as escalas de abate continua favorecendo os pecuaristas nas negociações.
Segundo o analista Fernando Iglesias, as programações dos frigoríficos permanecem relativamente curtas, variando entre cinco e sete dias úteis. Dessa forma, as indústrias precisam manter um ritmo ativo de compras para garantir o abastecimento.
Além disso, frigoríficos de diferentes portes têm elevado gradualmente suas ofertas de compra, contribuindo para a sustentação dos preços.
“A perspectiva de curto prazo continua favorável à valorização da arroba, embora a intensidade dos avanços varie entre as diferentes praças”, destaca Iglesias.
Preço do boi gordo: veja as cotações por estado
No levantamento referente a 9 de outubro, os preços do boi gordo na modalidade a prazo apresentaram avanços em cinco das seis praças acompanhadas.
Confira os valores:
- São Paulo (Capital): R$ 380 por arroba, alta de 4,11% em relação aos R$ 365 anteriores.
- Goiás (Goiânia): R$ 360 por arroba, valorização de 2,86% frente aos R$ 350 da semana anterior.
- Minas Gerais (Uberaba): R$ 365 por arroba, avanço de 4,29% sobre os R$ 350 registrados anteriormente.
- Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 370 por arroba, aumento de 4,23% em comparação aos R$ 355 anteriores.
- Mato Grosso (Cuiabá): R$ 345 por arroba, mantendo a estabilidade em relação à semana passada.
- Rondônia (Vilhena): R$ 355 por arroba, valorização de 2,90% frente aos R$ 345 anteriores.
Entre as regiões analisadas, Minas Gerais apresentou a maior valorização percentual, seguido por Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Oferta restrita de animais favorece valorização da arroba
A disponibilidade limitada de bovinos terminados continua sendo um dos principais fatores de sustentação do mercado. Com menos animais disponíveis para negociação, os frigoríficos encontram dificuldades para ampliar suas escalas de abate. Consequentemente, parte das indústrias precisa oferecer preços mais elevados para assegurar a compra de matéria-prima.
Esse cenário mantém o mercado físico aquecido e favorece a posição dos pecuaristas, especialmente nas regiões onde a oferta permanece mais ajustada. Apesar disso, o ritmo de valorização pode variar conforme as condições de oferta e demanda em cada praça pecuária.
Mercado atacadista: carne bovina também registra alta
No mercado atacadista, a entrada dos salários na economia contribuiu para melhorar a reposição de estoques e sustentar os preços da carne bovina. Entretanto, a concorrência com outras proteínas animais continua sendo um fator de atenção.
Segundo Fernando Iglesias, a carne bovina enfrenta limitações para novos reajustes diante dos preços mais competitivos das carnes de frango e suína, que representam alternativas de menor custo para os consumidores.
No levantamento, o quarto traseiro bovino foi negociado a R$ 28,50 por quilo, valorização de 1,29% em comparação aos R$ 28 registrados anteriormente. Por outro lado, o quarto dianteiro permaneceu estável, cotado a R$ 21,50 por quilo.
Qual a tendência para o preço do boi gordo?
A perspectiva de curto prazo permanece favorável à valorização da arroba do boi gordo, principalmente enquanto a oferta de animais terminados continuar limitada e as escalas de abate permanecerem curtas.
No entanto, a capacidade de repasse dos reajustes ao consumidor e a concorrência com outras proteínas devem influenciar o comportamento do mercado nas próximas semanas. Assim, o equilíbrio entre a disponibilidade de bovinos, a demanda dos frigoríficos e o consumo de carne será determinante para os próximos movimentos das cotações.
Fonte: Safras & Mercado, com informações e análises de Fernando Iglesias.
