Demanda aquecida, quebra e oferta limitada, esse é o cenário atual do café Conilon. O grão tem atingido recorde nas cotações desde o início de abril, com a saca chegando a um valor histórico de R$1.060,00.
O Espirito Santo, principal produtor do grão no Brasil, deu início a temporada de colheita já com expectativa de quebra. “Tivemos um período no final do ano passado, com temperaturas muito altas diariamente e isso atrapalhou muito o processo de expansão do grão, comprometendo o desenvolvimento dos frutos”, explica o engenheiro agrônomo e consultor técnico da Cooabriel, principal cooperativa de café Conilon. De acordo com levantamentos do técnico, entre os produtores a estimativa é de uma quebra entre 25 a 30%.
Paralelo a isso, mundialmente, o mercado também sente a forte quebra do Conilon, no Vietnã, fator que inclusive impulsiona muitos compradores para o Brasil.
Esperança e oportunidade para o cafeicultor brasileiro

Apesar da quebra já esperada por muitos produtores no Espirito Santo, o momento também é de oportunidade. “É o momento de o produtor fazer sua composição de custos, verificar se teria uma boa margem e avaliar a viabilidade de fazer a liquidez do seu café”, explica o Presidente da Cooabriel, Luiz Carlos Bastianello.
O consultor técnico, também da cooperativa, lembra que o momento requer atenção do produtor. “Apesar da expectativa de quebra, os preços são recordes e os produtores podem conseguir com esse preço, uma boa recuperação”, diz Marcelo Pilon.
Investimentos e tecnologia
É inegável que ao longo dos últimos anos, a cafeicultura de Conilon têm tido grandes avanços tecnológicos. A busca por investimentos melhores tanto em insumos, como em maquinários, se tornou uma realidade entre os produtores. Os impactos têm sido não só na qualidade dos grãos, como também, no volume exportado.
“Os produtores estão cada vez mais tecnológicos, procurando por produtos que colaborem para um trabalho mais firme na sanidade das lavouras. E a tecnologia foi a mudança de chave, para os produtores que estão conseguindo alcançar maior produtividade”, ressalta Marcelo Pilon.
E se a relação de troca tem se mostrado boa, para os investimentos no café arábica, se tratando do Conilon, não é diferente. O presidente Bastianello, pontua alguns segmentos oportunos para operações de Barter nesse momento. “O cenário atual apresenta insumos com preços razoáveis e o café Conilon com boa possibilidade de remuneração. Considero que o momento se apresenta oportuno e o produtor que planeja realizar essa operação poderia considerar realizá-la”, enfatiza Luiz Carlos.
Sobre a expectativa de quebra no estado, não há dados oficiais da cooperativa, no entanto, em virtude das dificuldades climáticas, essa quebra já é esperada. Existe também a possibilidade de que o café apresente qualidade um pouco inferior em comparação com a safra passada. A cooperativa estima que os números de produção sejam próximos aos registrados em 2023.
