Para a ONU a produção familiar é também uma saída e oportunidade para conter as mudanças climáticas e o abastecimento de alimentos nas mesas dos brasileiros. Na cúpula da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), há o empenho em trabalhar com o Brasil para ampliar o plano de abastecimento e “mitigar” os efeitos das mudanças climáticas, por meio da agricultura familiar. Especialistas e o governo brasileiro querem, assim, fomentar projetos que envolvem cada vez mais o pequeno produtor do campo, incluindo incrementos nos atuais incentivos.
O brasileiro que representa o país na sede regional da entidade em Santiago, João Marcelo Intini, oficial de Políticas de Sistemas Alimentares na FAO, disse que um dos desafios da entidade na América Latina é ampliar a oferta de alimentos saudáveis às populações carentes e classifica esse filão como “mercados dinâmicos”, por se tratar de um consumo que tem impacto direto na economia, mesmo sendo pequenos produtores. Para ele este tipo de produção menor não tem muita vocação para exportar, mas produz alimentos de alta qualidade para consumo doméstico e, ao gerar volumes locais e regionais conseguem dar nova dinâmica na produção dos mercados abastecendo escolas, creches, asilos etc.
Uma das dificuldades que as políticas nacionais encontram, tanto para os grandes e pequenos produtores é a estocagem, diz ele, seja mais fácil de administrar pela oferta de produtos com preços mais baixos, existem gargalos importantes no escoamento da produção da agricultura familiar, que exige uma estrutura principalmente para compartilhar e evitar desperdícios.
Investir em industrialização e comercialização é um ponto de partida para o representante do Brasil melhorar os preços de produtos que atendam à demanda interna e à segurança alimentar. Segundo o Intin, a América Latina hoje desperdiça 11% dos alimentos por falta de estrutura, enquanto a produção familiar poderia agregar cerca de 30 produtos ao continente com mais apoio. “É preciso fortalecer outras medidas, como a ampliação das compras públicas para a agricultura familiar e a promoção do consumo direto”, afirmou durante debate na sede regional da FAO.
