A falta de cacau no mundo e o impacto para o Brasil

por | out 11, 2024

Foto: iStock

A queda na produção de cacau no continente africano, este ano, acendeu um alerta global: poderá faltar cacau no mundo?

Países como Costa do Marfim e Gana tiveram uma redução significativa na oferta do fruto no mercado internacional, o que impactou diretamente o mercado global, incluindo o Brasil, onde o preço do cacau subiu expressivamente.

Impactos no Brasil

Os produtores brasileiros foram bastante beneficiados, com a saca de cacau alcançando, por exemplo, R$ 3.000 no início de setembro, no Espírito Santo. Atualmente, o Brasil produz cerca de 200 mil toneladas de amêndoas de cacau, mas tem potencial para chegar a 400 mil toneladas por ano.

Neste ano, a commodity alcançou preços históricos, com recorde de US$ 11 mil por tonelada no primeiro trimestre.

A falta de cacau no mundo

As expectativas são positivas para o mercado brasileiro de cacau. Na última semana de setembro, por exemplo, o contrato de cacau para dezembro fechou a US$ 7.722 por tonelada na bolsa de Nova York.

Nesse cenário, o grande desafio para o Brasil será realizar investimentos e elaborar um plano estratégico que permita o país se tornar autossuficiente na produção de cacau e competir no mercado internacional.

Embora as projeções sejam boas, o Brasil enfrenta desafios climáticos que afetaram a safra deste ano. Atualmente, o país ainda depende de importações de cacau. Esse momento representa tanto uma oportunidade quanto um risco, pois, segundo a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), existe a possibilidade de faltar cacau para as indústrias brasileiras.

Safra 2024

Um destaque positivo foi a recuperação da Bahia como líder nacional na produção de cacau. Após cinco anos, o estado voltou a ser o maior produtor de amêndoas de cacau do país, com uma produção de 139.011 toneladas em 2023, um aumento de 0,6% em relação ao ano anterior (+860 toneladas). Com isso, a Bahia ultrapassou o Pará, cuja produção foi de 138.471 toneladas, representando uma queda de 5,2% em relação a 2022.