Café arábica: El Niño, dólar e exportações movimentam preços em outubro

por | nov 5, 2026

Apesar das oscilações no mercado, cotações do café arábica encerraram o mês praticamente estáveis. Clima no Brasil, oferta internacional e valorização do dólar influenciaram os negócios

Os preços do café arábica em outubro de 2026 registraram fortes oscilações no mercado brasileiro, influenciados pelas condições climáticas, pelo avanço das exportações e pela valorização do dólar. Apesar dos movimentos de alta e baixa, as cotações encerraram o período praticamente estáveis, conforme análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP).

Segundo pesquisadores do Cepea, as chuvas nas principais regiões produtoras de café do Brasil favoreceram as floradas da safra 2027/28, contribuindo para perspectivas mais positivas em relação à próxima temporada. Esse cenário, associado ao ritmo elevado das exportações brasileiras, pressionou os preços do grão em determinados momentos do mês.

Entretanto, as incertezas sobre os possíveis impactos do fenômeno El Niño na produção de café sustentaram movimentos de valorização, mantendo o mercado atento às condições climáticas e ao desenvolvimento das lavouras.

El Niño e floradas da safra 2027/28 influenciam mercado de café

As condições climáticas nas regiões cafeeiras brasileiras tiveram papel importante na formação dos preços do café arábica ao longo de outubro.

A ocorrência de chuvas favoreceu as floradas e trouxe expectativas positivas para a produção da safra 2027/28. Por outro lado, as preocupações com possíveis alterações no regime de precipitações e temperaturas, associadas ao El Niño, ampliaram as incertezas sobre o desempenho da próxima temporada.

Dessa forma, o mercado alternou períodos de pressão sobre as cotações e momentos de recuperação dos preços, conforme as expectativas climáticas e as informações sobre a oferta de café.

Produção de café na Colômbia e estoques em Nova York sustentam cotações

No cenário internacional, a perspectiva de menor produção de café na Colômbia contribuiu para sustentar os preços do arábica.

Além disso, a recuperação lenta dos estoques certificados na Bolsa de Nova York (ICE Futures) manteve os agentes atentos à disponibilidade do produto no mercado internacional.

De acordo com o Cepea, esses fatores favoreceram movimentos de alta nas cotações, mesmo diante das condições climáticas mais favoráveis às lavouras brasileiras e do ritmo expressivo dos embarques nacionais.

A combinação desses elementos reforçou a volatilidade do mercado, com ajustes nos preços conforme as expectativas de oferta e demanda global.

Valorização do dólar influencia preços do café no Brasil

Outro fator determinante para o comportamento do mercado cafeeiro foi a alta do dólar frente ao real no final de outubro.

A valorização da moeda norte-americana influencia a formação dos preços domésticos do café, especialmente porque o Brasil ocupa posição de destaque nas exportações mundiais do produto.

Com o dólar mais elevado, as receitas das exportações convertidas em reais podem aumentar, o que tende a oferecer sustentação às cotações no mercado interno, dependendo das condições de negociação.

Apesar disso, os movimentos de valorização e desvalorização registrados ao longo de outubro acabaram se compensando.

Assim, segundo o Cepea, os preços do café arábica encerraram o mês praticamente no mesmo patamar observado no início do período.

Mercado de café segue atento ao clima e à oferta internacional

Para os próximos meses, o comportamento do mercado de café continuará relacionado às condições das lavouras brasileiras, às expectativas para a safra 2027/28 e à disponibilidade do produto no cenário internacional.

Além do clima, a movimentação cambial, o ritmo das exportações e a recomposição dos estoques certificados permanecem entre os fatores relevantes para a formação das cotações.

Fonte: Cepea/Esalq-USP.